Montaigne falava de uma “ignorância abecedeariana que precede o conhecimento, e uma ignorância doutoral que se segue ao conhecimento”. A primeira ignorância é a do analfabeto, isto é, do sujeito incapaz de ler. A segunda ignorância é a do sujeito que leu muitos livros, mas os leu de maneira incorreta. Alexander Pope os chamava, com justiça, de livrescos estúpidos, literatos ignorantes. Na história, sempre houve ignorantes alfabetizados, isto é, pessoas que leram muito, mas leram mal. Os gregos tinham um nome especial para essa estranha mistura de aprendizado e estupidez – um nome que pode ser aplicado os literatos ignorantes de todas as eras. Eles chamavam esse fenômeno de sofomania.

Mortimer J. Adler & Charles Van Doren, em Como ler livros: o guia clássico para a leitura inteligente. (É Realizações)

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