Em meados do terceiro milênio a.C., surgiram as primeiras coleções de textos literários nas cidades suméria de Fara (Shuruppak) e Abu Salabikn. Nos centros do Oriente Médio, foram criadas bibliotecas de estudos que pertenciam a um templo, uma escola de escribas ou um erudito particular.

A biblioteca descoberta em Sultantepe, perto de Harran, na Turquia (século VII a.C.), com várias centenas de textos literários e científicos, e a de Sippar, na Babilônia, onde foram encontradas tábuas em estantes de tijolos, eram bibliotecas de templos.

A biblioteca mais completa, dividida entre o velho palácio real e o templo de deus Nabu, foi a formada pelo rei Assurbanipal em Nínivek, em meados do século VII a.C.. A correspondência real relativa ao enriquecimento da coleção, os colofões escritos embaixo da tábuas de argila e os catálogos nos permitem ter uma ideia da composição desssa biblioteca.

O rei letrado mandava buscarem todos os manuscritos representativos da literatura babilônica antiga para copiá-los: textos escolares, literários, religiosos, científicos. O lote mais importante era o dos textos de adivinhação e conjuração, que continham mais de 300 tábuas, de um total de cerca de 1.500 obras, algumas delas em vários exemplares. Isso porque o objetivo do soberano não era apenas erudito, mas sobretudo garantir a proteção divina – daí a coleção de textos de presságios variados, permitindo prever o futuro de seu reino.

Béatrice André-Salvini, conservadora-chefe do Departamento de Antiguidades Orientais do Louvre.

Fonte: História Viva. Antiguidade de A a Z.

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