Os soberanos, os templos e os particulares dispunham de bibliotecas mais ou menos especializadas, que variavam em tamanho. Os textos frequentemente fazem alusao à consulta de obras antigas nas bibliotecas, pelos soberanos, como o rei da 13ª dinastia, Neferotep I, que desejava conhecer as práticas mais ortodoxas para satisfazer os deuses. No túmulo de Amenófis III, foi encontrada uma coletânea de poesia com seu ex-libris.

Essas obras eram compostas, copiadas e às vezes conservadas em tipos de scriptoria chamados “casas de vida”. O conteúdo de algumas bibliotecas de templos, como a de Edfu, é conhecido graças a inscrições na capela onde ficava instalada, que reproduzem os títulos da coleção.

Outras se conservaram até hoje, como as de Tebtynis, em Fayum – encontrada na casa de um sacerdote – ou a de Tânis, no delta oriental. Ambas datam de I d.C.. A de Tebtynis contém várias centenas de papiros redigidos em demótico, hierático, hierógrifos ou grego. Tratam de literatura, religião, astronomia, astrologia, oniromancia, matemática, medicina, botânica etc.

Também foram conservadas outras bibliotecas antigas privadas, como a de um sacerdote-leitor do Império Médio, colocada em seu túmulo o templo de Ramesseum, e a de uma família de Deir el-Medineh da época ramessida.

Dominique Valbelle, professora na Universidade de Paris IV-Sorbonne

Fonte: História Viva – Antiguidade de A a Z

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