Biblioteca Grécia / Roma

A palavra grega bibliothêkê designava na Grécia um local (primeiro as prateleiras, depois o prédio) para a conservação dos biblía [livros], ou seja, tanto obras literárias e científicas como peças de arquivo, sob a forma de rolos de papiro ou pergaminho.

No mundo grego, as bibliotecas eram um instrumento de prestígio para as monarquias. Isso ocorria desde a época das tiranias arcaicas (Pisístrato teria criado a primeira biblioteca de Atenas especialmente para a conservação de uma edição oficial dos textos homéricos) e, sobretudo, sob as dinastias helênicas, com a coleção pertencente ao museu de Alexandria e ao anexo ao santuário de Atena Nikephoros na acrópole de Pérgamo. A mais rica das bibliotecas antigas, a de Alexandria, fundada por Ptolomeu Filadelfo (rei do Egito de 285/283 a 246 a.C.), era organizada segundo os princípios aristotélicos de classificação do saber universal. Se a arquitetura das bibliotecas helenísticas ainda é pouco conhecida, a dos edifícios imperiais pode ser observada, como em Éfeso (biblioteca de Celsus), com seu sistema de isolamento contra a umidade e nichos profundos para os armários de madeira nos quais eram dispostas as caixas de livros.

Provavelmente imitando Alexandria, em 47 a.C. César instalou em Roma a primeira biblioteca pública e confiou sua realização ao erudito Marco Terêncio Varrão. Até então, a aristocracia romana constituía bibliotecas privadas, das quais uma foi parcialmente conservada, a da Vila dos Papiros em Herculano, propriedade de Lúcio Calpúrnio Pisão, cõnsul em 58 a.C. e sogro de César. Durante o império, as bibliotecas públicas se multiplicaram em Roma, com geralmente duas coleções, uma grega e uma latina. Augusto criou a biblioteca ad Apollinis, anexa ao santuário de Apolo Palatino; Vespasiano, a do templum Pacis; e Trajano, a bibliotheca Ulpia. Esta continha o relato de Trajano sobre as guerras contra os dácios, ilustrada pelos baixos-relevos dispostos, como um volumen, em torno da Coluna de Trajano, situada entre as duas salas da biblioteca.

Gilles Sauron, professor de arqueologia romana na Universidade Prais IV-Sorbonne

Fonte: História Viva. Antiguidade de A a Z

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