Quando a agente literária Sarah Yake ofereceu a algumas editoras o romance de estreia de Kirsten Kaschock, chamado “Sleight”, ela pensava que seria um sucesso imediato com os editores nova-iorquinos.

“O projeto dela foi um dos melhores dos últimos dez anos”, diz Jed Rasula, que desde 2001 leciona no departamento de letras da Universidade da Georgia. “Eu tinha certeza que ela encontraria uma editora em Nova York.”

Mas as grandes editoras da cidade rejeitaram “Sleight”, um romance sobre duas irmãs que são treinadas numa arte fictícia. Agora o livro será publicado pela Coffee House Press, uma pequena editora de Minneapolis que ofereceu a Kaschock um adiantamento de US$ 3.500 — uma pequena fração do que as grandes editoras costumavam pagar.

Sempre foi difícil para um autor estreante conseguir publicar seu livro numa grande editora. Mas a revolução digital que está mudando o modelo econômico da indústria editorial tem tido um impacto exagerado na carreira dos escritores.

Por ter preços menores que os de livros tradicionais, muitas edições digitais rendem menos para as editoras. E as grandes varejistas têm comprado menos títulos. O resultado é que as editoras que acalentaram gerações de escritores americanos passaram a fechar menos acordos com escritores estreantes. A maioria dos que conseguem a publicação tem recebido adiantamentos menores.

“Os adiantamentos encolheram e não há tanta gente estreando como antes”, diz Ira Silverberg, uma conhecida agente literária. “Estamos todos tentando entender como vai ficar o negócio enquanto ele passa por essa turbulência digital.”

Da mesma maneira que a música barata na internet fez com que menos bandas conseguissem ganhar a vida fechando contratos com gravadoras, à medida que o e-book se popularizar, menos escritores conseguirão se sustentar, dizem editores e agentes. “Em termos de ganhar a vida como escritor, é melhor que você tenha outra fonte de renda”, diz Nan Talese, cujo selo Nan A. Talese/Doubleday publica autores como Ian McEwan, Margaret Atwood e John Pipkin.

Em alguns casos, pequenas editoras estão atendendo à demanda e fechando contratos com escritores promissores. Mas elas oferecem em média US$ 1.000 a US$ 5.000 de adiantamento, em comparação com US$ 50.000 a US$ 100.000 que as grandes editores geralmente pagavam por um livro de estreia.

fonte: Zwelangola

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