Pilar é uma mulher forte, José, um poeta. Ele tem ideias para a arte, ela as tem para a vida. O documentário “José e Pilar” sobre Saramago, Nobel de literatura que morreu em junho, e Pilar Del Río, sua mulher, jornalista e tradutora, tende a confirmar o ditado que afirma que por trás de um grande homem, sempre tem uma grande mulher.
O filme passa, pela primeira vez na sua versão final, no Festival do Rio. A espanhola Pilar e o diretor português Miguel Gonçalves Mendes vieram divulgá-lo e falar sobre o escritor, que foi considerado por gente como o crítico novaiorquino Harold Bloom um dos maiores do nosso tempo.


“Ele era um intelectual de respeito, com grandes ideias. Cada romance que escrevia partia de uma ideia muito forte. Todo mundo fica cego, a península Ibérica se desprende da Europa, aparece a caverna de Platão, todas as pessoas deixam de morrer, no mesmo dia, na mesma hora. A partir daí se desenvolve e se realiza o romance”, contou Pilar.
“Ele era um intelectual, e eu não. Eu organizava o entorno. Mas com a consciência de que o importante era o intelectual. Porque a vida, e a realização da vida, qualquer pessoa consegue. Mas as pessoas que enriquecem a todos são muito poucas. E Saramago era uma delas.”
No filme, que mostra o processo de escrita de “A viagem do elefante”, passando por sua publicação e o seu lançamento no Brasil, é possível ver a importância de Pilar para Saramago. Ela organiza sua agenda, trabalha como uma assessora, incentiva o marido. Mendes, que demorou quatro anos para fazer o filme, consegue retratar a intimidade do casal, sem ser invasivo. A câmera está ali, os personagens sabem, mas agem naturalmente.
“Pensei em fazer uma história, não um documentário. A história de um homem que está a escrever um livro, que adoece e tem medo de não acabar o livro, e que depois consegue se estruturar”, contou. “Achei que o mais interessante era mostrar o que o escritor Nobel faz. Além do escrever escutando música clássica. Você tem que dar autógrafos, dar palestras, é tudo um saco. É um saco, mas é o trabalho dele.”

fonte: G1

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