O ambiente é, na opinião da cubana Emilia Gallego Alfonso, 64 anos, essencial para a formação do leitor. Presidente da seção cubana do International Board on Books for Young People (IBBY), órgão internacional voltado à promoção do livro e da leitura para crianças e jovens que no Brasil equivale à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) , a professora, escritora e doutora em Educação defende o conceito de leitura como uma epidemia:

– Numa casa em que se lê, a possibilidade de que a criança leia é grande – explica Emilia, que veio a Caxias do Sul para participar, na noite de ontem, da abertura do 17º Encontro Estadual de Leitura/Proler, que até amanhã reúne mais de 250 interessados em como incentivar as práticas leitoras.

Vivendo em uma realidade em que é impensável uma criança não ir à escola ou não ter contato com os livros ou outros produtos culturais, a especialista acredita que ler é mais do que importante: é fundamental.

– Ler é parte da vida, passa-se a vida lendo, desde que se nasce. O conceito de leitura não está delimitado ao livro, mas abarca um ato reflexivo e emocional do ser humano para com sua realidade e com o mundo. O livro é a alma da cultura, a preservação da cultura de um país, seja ele de ciências, de poesia ou de literatura – sintetiza.

Emilia salienta, entretanto, que as campanhas de incentivo à leitura devem tomar o cuidado de não passar a imagem de que quem não lê é menos do que quem lê. O que é preciso é ter uma atitude positiva e mostrar que a leitura abre as portas para novos conhecimentos e emoções. A leitura, diz, é algo pessoal, íntimo, mas ao mesmo tempo no livro se conversa com os outros, se familiariza com histórias que não são nossas histórias, mas que também são nossas, porque sempre tem algo com o que nos identificamos.

– Toda arte proporciona isso, esse aspecto humano – completa.

E o que é um bom livro para crianças ou adolescentes? Na visão da especialista cubana, não existem “bons livros para”, mas sim “bons livros”. Ou seja, uma obra bem escrita e que consegue emocionar será boa para qualquer idade, embora, é claro, o crescimento da complexidade das leituras seja um processo gradual. Da mesma forma, nem sempre o que mais se lê é o melhor, Emilia faz questão de frisar, mas quanto mais se lê, mais facilmente se pode ir selecionando o melhor, estabelecendo parâmetros.

Além disso, cada leitura nos muda, defende ela.

– Não se é a mesma pessoa antes de ler Drummond e depois de ler Drummond, nem antes e depois de ler Clarice Lispector – exemplifica, citando dois escritores brasileiros.

fonte: Pioneiro

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments