Frankfurt – O livro digital, que provocou temores e inúmeras discussões na Feira de Frankfurt do ano passado, caminha a passos lentos na Europa. A constatação é de Gottfried Honnefelder, diretor da Associação Alemã de Editores e Livreiros, em entrevista coletiva na quarta (05), antes da abertura oficial do evento deste ano, que ocorreu à noite. “No ano passado, a venda de livros na Alemanha chegou ao faturamento de 970 milhões de euros e, deste total, as edições digitais contribuíram com menos de 1%”, disse, lembrando que apenas obras científicas usaram mais a nova ferramenta.

O principal entrave são os impostos. “França, Espanha, Suécia e Países Baixos estudam projeto de lei para reduzir o IVA (imposto sobre valor agregado utilizado pela União Europeia e que incide sobre a despesa ou o consumo), o que deve provocar um impulso no livro digital”, comentou. Honnefelder comentou também o sucesso do e-book nos EUA, onde a venda do novo formato dobrou no ano passado enquanto a edição em papel apresentou decaída. “Os americanos movimentam muito o comércio on-line, que implica prazo de entrega. Com e-books, isso é reduzido a quase zero, pois um livro pode ser baixado quando o leitor preferir.” Para ele, a extensão do território americano também justifica o sucesso.

“O assunto continuará dominando as discussões nesta 62ª edição da Feira de Frankfurt”, afirmou o seu diretor, Juergen Boos. “Temos agora de encontrar os formatos ideais dessa nova tecnologia.” Para isso, os organizadores criaram o projeto Frankfurt Hot Spots, seis espaços de debate sobre o futuro do mercado editorial. A ideia é apresentar cientistas que trabalham no pioneirismo da tecnologia digital a editores de todo o mundo. Assim, de e-books a bibliotecas eletrônicas, serão analisados caminhos para a adequação de novos formatos.

Também o pavilhão do país homenageado, a Argentina, foi aberto para a imprensa. Organizado como um labirinto, em homenagem a Borges, o espaço tem um jogo de amarelinha desenhado no chão, referência a outro ícone literário, Cortázar. Ao todo, os principais nomes da escrita argentina são lembrados nas paredes que formam o labirinto. Também estão homenageados figuras de outras áreas, como Carlos Gardel, Maradona e Che Guevara.

Já o escritor americano Jonathan Franzen, autor de Freedom, um dos livros mais comentados do ano nos EUA, enfrentou um incidente bizarro em Londres, na noite de terça (04). Durante uma festa na Serpentine Gallery, ele foi abordado por um homem que roubou seus óculos, enquanto outro deixava um bilhete pedindo US$ 100 mil de resgate. A polícia descobriu um dos ladrões. Óculos devolvidos, Franzen não quis prestar queixa, pois encarou o fato como brincadeira. Antes da solução, porém, um par de óculos supostamente do escritor já estava à venda no eBay.

fonte: Diário de Cuiabá

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