Levantamento feitos nos Estados Unidos mostra que crianças gostariam de ler obras online

The New York Times – O Estado de S.Paulo

Há muito que pais e educadores se preocupam com a possibilidade de diversões digitais como videogames e celulares roubarem o tempo que os filhos gastariam lendo. Mas uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que dois terços das crianças não desistiram de seus livros impressos tradicionais, e que gostariam de ler as obras digitalizadas.

O estudo foi divulgado na semana passada pela Scholastic, a editora americana dos livros de Harry Potter e da trilogia Jogos Vorazes. Foram pesquisadas mais de 2 mil crianças nas idades de 6 a 17 anos, e seus pais, no segundo trimestre deste ano.

Cerca de 25% das crianças pesquisadas disseram que já leram um livro em um aparelho digital, incluindo computadores e leitores digitais. Entre as idades de 9 a 17 anos, 57% das entrevistadas se disseram interessadas em fazê-lo.

Além disso, somente 6% dos pais pesquisados possuíam um leitor digital, mas 16% disseram que pretendiam comprar um no próximo ano. Oitenta e três por cento desses pais afirmaram que permitiriam ou encorajariam seus filhos a usar os leitores digitais para obras literárias.

“Eu não tinha percebido a rapidez com que as crianças abraçaram essa tecnologia”, disse France Alexander, diretor acadêmico da Scholastic. Ele se refere a computadores, leitores digitais e outros dispositivos portáteis que podem baixar livros. “Eles claramente os veem como ferramentas de leitura, não só para jogar, não só para trocar mensagens de textos, mas como uma oportunidade para ler”, complementa.

Para Milton Chen, bolsista sênior na George Lucas Educational Foundation, o relatório revela que crianças querem ler nas novas plataformas. “O mesmíssimo dispositivo usado para socializar, trocar mensagens de texto e permanecer em contato com amigos também pode se transformar para outro fim”, disse Chen. “Essa é a esperança.”

Mas muitos pais pesquisados também expressaram preocupações sérias sobre as distrações de videogames, celulares e televisão nas vidas de seus filhos. Eles também gostariam de saber se o adolescente moderno que faz várias coisas ao mesmo tempo teria a paciência necessária para se concentrar na leitura de um longo romance.

“Minha filha não consegue parar de escrever mensagens por tempo suficiente para se concentrar num livro”, disse uma das entrevistadas, mãe de uma adolescente de 15 anos do Texas. Outra participante da pesquisa, mãe de um garoto de 7 anos de Michigan, disse: “Temo que o intervalo de atenção de meu filho só inclua ideias em rápido movimento, e a leitura de um livro se torne tediosa para ele.”

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