Arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb, 40, projeta biblioteca na USP que abrigará livros doados por José Mindlin

Giba Bergamim Jr.

A doação de um acervo particular de 17 mil livros à USP era um sonho antigo do bibliófilo José Mindlin. Morto em fevereiro passado, aos 95 anos, o dono da maior coleção particular do país deixou ao neto, o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb, 40, a missão de tocar adiante o projeto. Levando o legado do avô à risca, ele é um dos responsáveis pela concepção arquitetônica do que será um centro de estudos sobre o livro, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, prioridade da reitoria da USP, cuja inauguração está prevista para 25 de janeiro de 2012.

Quando estiver pronta, abrigará preciosidades da literatura brasileira. A primeira edição de “O Guarani” (José de Alencar), de 1897, e ilustrações de Hans Staden, do século 16, além do manuscrito de “Grande Sertão: Veredas“, de Guimarães Rosa, são algumas obras de autores brasileiros ou de estrangeiros que relatam histórias sobre o país que estarão lá.

Para transformar o sonho do avô em realidade, Loeb iniciou, há dez anos, uma parceria com Eduardo de Almeida, um de seus professores na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, e montou uma “jovem” equipe, formada também pelo engenheiro Cyro Pessoa, 80, o mestre de obras Sebastião Bueno da Silva, 83, e o analista de orçamentos José Rubens Juazeiro, 52. Inspecionando diariamente os operários, eles veem a biblioteca ganhar corpo. Juntamente com o coordenador-geral, Pedro Puntoni, são, como diz Rodrigo, os “guardiões da biblioteca”. Iniciada em 2006, a obra deve entrar na segunda fase até novembro. Essa etapa inclui a construção de salas de aula e do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). O custo total chegará aos R$ 100 milhões, parte deles oriundos de empresas que apoiam o projeto.

“A biblioteca faz parte da minha vida. Vi sempre como uma missão desenvolvê-la até o fim. Foi uma bela oportunidade de ter contato constante com meu avô para ajudar a pensar nos caminhos do projeto”, disse Loeb. A avó, Guita Mindlin, também participou das discussões. Responsável pela restauração dos livros, foi dela a ideia de criar um centro de restauro, também previsto na futura biblioteca. Guita morreu em 2006.

Da primeira fase de construção do complexo literário, já estão de pé o prédio que abrigará o acervo da Brasiliana, outro onde funcionarão uma livraria, uma cafeteria e uma sala de exposições e um terceiro, um auditório para 300 pessoas. Os espaços serão ligados por uma espécie de praça coberta, com iluminação natural.

Segundo Loeb, a estrutura foi feita para garantir economia de energia e a preservação dos livros. Fizemos um estudo para controle de luminosidade, não tem radiação direta, somente luz difusa”, explica. Os prédios já contam com as estruturas metálicas, elevadores e sistema de ar-condicionado.

Digital
Enquanto a Brasiliana não fica pronta, o acervo segue na casa da família. Mas parte dele pode ser consultado na internet, já que a versão digital da biblioteca vem crescendo, sob o comando de Pedro Puntoni. Cerca de 10% está em http://www.brasiliana.usp.br/ , graças a um robô, que copia as obras. A USP negocia a compra de mais dois deles.

A estrutura de funcionamento da Brasiliana já foi planejada por Puntoni. Para a segunda etapa, estão previstas salas de aula, laboratórios e escritórios do sistema integrado das 43 bibliotecas da USP, além do centro de restauro. Por conter muitas obras raras, haverá um esquema especial de segurança. Os usuários só poderão folhear os livros acompanhados de bibliotecários. “O dr. Mindlin abria a biblioteca dele para todos, era muito generoso. Por isso, a Brasiliana não é pensada como um depósito de livros, mas como uma biblioteca viva, um centro de pesquisas e reflexão sobre a história do livro”, afirma Puntoni.

Fonte: Revista São Paulo

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