“Meu objetivo é facilitar a vida dos leitores“ escrevendo numa linguagem simples e acessível”, diz o autor de 1822, sucesso de vendas.

Fernanda Ikedo
Agência BOM DIA

Após a Bienal do Rio de Janeiro de 2007 a vida do jornalista Laurentino Gomes mudou radicalmente. Na ocasião, ele lançou seu primeiro livro, “1808”, que aborda a vida da família imperial ao Brasil. Com a explosão de vendas os convites para palestras foram surgindo e preenchendo toda a agenda. Resultado: o autor largou o cargo de diretor superintendente da Editora Abril, onde trabalhava há 22 anos e mudou-se de São Paulo para Sorocaba. “Nesses três anos, percorri cerca de 70 cidades brasileiras e portuguesas, onde fiz mais de 250 palestras e participei de eventos e encontros com os leitores”, conta Laurentino.

Já a mudança para Itu é justificada pela tranquilidade que a cidade traz a ele, sem a correria e o trânsito da cidade grande. “Agora passo a maior parte do meu tempo lendo e escrevendo”, afirma.

Questionado como ele classifica seus livros, ele é enfático ao dizer que coloca em prática em suas obras as lições que aprendeu ao longo de 30 anos como repórter e editor de jornais e revistas. “Ou seja, faço reportagem”, confirma. Para ele, não há muita diferença entre jornalistas e historiadores.

“Meu objetivo é facilitar a vida dos leitores“ escrevendo numa linguagem simples e acessível”, diz o autor de 1822, sucesso de vendas.
Fazer a história

Laurentino explica que repórteres escrevem a história a sangue quente, no momento mesmo em que os acontecimentos estão ocorrendo. Seus artigos e reportagens serão, mais tarde, fontes para os historiadores tentarem se aprofundar um pouco mais nesses acontecimentos. “Acho que as pessoas estão lendo e estudando história em busca de explicações para o Brasil de hoje”, diz.

Criação

Sobre seu processo criativo e sua escrita, o autor diz que durante o trabalho de pesquisa, ele lê muito sobre o assunto e consulta livros e documentos. Além disso, ainda visita locais em que as coisas aconteceram, séculos atrás. “Apesar da distância no tempo, esses lugares ainda guardam hoje muito de informação para quem tiver o olhar atento”, afirma.

1822

Ao todo, foram mais de três anos de anos de pesquisa. “Foi um intenso trabalho de reportagem, no qual li mais de 180 livros, teses de mestrado e doutorado, entre outros documentos do assunto”, conta.

Planos

Depois do “1822”, lançado em Sorocaba nesta segunda (18), à noite, Laurentino diz que já programa dedicar-se ao Segundo Reinado e o nascimento da República. “Já comecei a pesquisar. O título será 1889, o ano da Proclamação da República. Dessa maneira, fecho uma trilogia numérica com três datas fundamentais para entender a construção do Estado brasileiro no século 19”, destaca.

Frases

“Continuo fazendo reportagens, mas agora é um trabalho mais solitário e sem a pressão e a correria das redações”

“Uma sociedade que não estuda história não consegue compreender a si própria nem está habiitada a construir seu futuro”.

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