Quem lê abre lugares vagos em sua mente e se deslumbra em juntar letrinhas, formar frases e textos dos mais diversos. Mas o que o escritor deseja a interligação dos pensamentos com as suas emoções e conceitos de vida com o espírito ávido do leitor, para que eles pactuem e aflorem na leitura.
Os escritores nos levam a singrar mares “nunca dantes navegados,” e nos descrevem cenários que jamais teríamos oportunidade de imaginar. O romancista nos leva ao delírio com suas pungentes histórias, que nos dão um parâmetro sobre usos e costumes de países muito distantes e diferentes do nosso. Com sua pena somos levados pela imaginação para lugares orientais e situações próprias dos lugares e épocas retratados, e da mesma forma, concretizamos os cenários, porque no nosso imaginário está plasmada a idéia do escritor ao nos transmitir seu pensamento. O que um escritor almeja é a cumplicidade com os seus pensamentos, para que o leitor entre no seu mundo fictício, através de um compartilhamento sutil nas entrelinhas. Nas poesias, o sentimento mais delicado, mais etéreo aflora toda sensibilidade de tão pouco valor e camuflada pela violência da realidade nua e crua dos tempos modernos, quem sabe por que é uma transição evolutiva da humanidade.
Um povo sem leitura é manipulado e dependente da informação, correta ou não. Um povo que lê não se deixa levar por idéias que enveredam para a tirania, porque ele sabe ser crítico, inquieto, tem maior tirocínio, porque aprendeu a pensar é engajado, não alienado, vivendo à mercê de manipulações literárias.
Durante séculos muitas idéias foram impostas como verídicas, mas às vezes são simples teorias ditadas pela falta de informação e pela religião dominante da época. Muitas vezes nos sentimos solitários, abrindo uma porta para a entrada de pensamentos negativos e depressivos e nos esquecemos que basta começar a ler um livro para nos sentirmos acompanhados. Como diz Mario Quintana: “Dupla delicia: o livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.”
Às vezes o que falta para quem não gosta de ler, é falta da alma em sintonia. Às vezes imaginam que estão perdendo tempo. Quando o tempo é questão de preferência.
A leitura vai descortinando um mundo que com a leitura chega aos nossos olhos e vai direto ao coração. Quem lê se emociona ou se instrui porque a leitura é como um fogo lento que vai abrasando e aquecendo nosso interesse a cada página virada e nos frustra quando chegamos ao fim do livro, fazendo-nos sentir órfãos daquela empatia que tivemos no relacionamento com seus personagens, naquele espaço de tempo trocado com seus protagonistas. Saudosos daquela companhia, muitas vezes relemos o livro para continuar aqueles momentos de compartilhamento.Quem não lê perde a oportunidade de ter momentos de felicidade.

 
Fonte: Gazeta de Piracicaba

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