O grande escritor pernambucano Nelson Rodrigues constumava falar que vivemos numa época dominada pelos idiotas. Quem são esses idiotas? Como reconhecê-los? O que ele constumam falar? Antes de tudo, eles são maioria esmagadora e, como a democracia é um regime fundamentado na maioria, são vencedores pela simples força numérica. A luta contra os idiotas é uma batalha perdida. Falam demais. Acreditam, que, apenas porque têm boca, podem omitir opiniões sobre tudo. Como viraram engenheiros e médicos e professores, porque o “conhecimento” virou ferramenta de ascenção social, hoje os idiotas têm diplomas. Mais um dos danos da sociedade do “acesso” em que todo mundo tem “acesso”, na qual quase não há conteúdos que valham qualquer “acesso”. A maioria da humanidade sempre foi ignorante (nascia, reproduzia e babava na gravata, como dizia Nelson), mas, com o advento da sensibilidade democrática para o número e a estatística, essa maioria tomou a palavra. Toda a “ética” democrática é voltada para a banalização do conhecimento a serviço da autoestima dos idiotas. Não os ofenda porque eles venceram. Acreditam firmemente no que pensam enquanto veem novelas na TV.

Luiz Felipe Pondé, em Contra um mundo melhor: ensaios do afeto (LeYa)
Imagem: Internet

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