Na Vila Madalena, boemia consegue até melhorar a educação pública, num exemplo de inovação comunitária. Um dos ícones da boemia paulistana é a Mercearia São Pedro. À sua frente ocorria uma tragédia. Uma escola (Carlos Maximiliano), deteriorada, sombria, estava com data marcada para fechar. A comunidade se movimentou, ajudando um grupo de professores e alunos. A recuperação virou um case, ensinado em cursos de formação de diretores, para mostrar um exemplo de integração escola-comunidade.
Ocorre que, na Mercearia, escritores boêmios (Marcelino Freire, principalmente) arquitetaram uma semana dedicada apenas à literatura, mas que tivesse um ambiente descontraído dos bares. Os encontros, sempre informais, acontecem em vários lugares do bairro, a começar dos bares. Deu-se o nome de Balada Literária (a programação está no www.catracalivre.com.br), que começa nesta semana, agora até com convidados internacionais. Não há patrocínios nem marca de ninguém, tudo na raça.
Um dos lugares desses encontros é justamente dentro da escola, onde, num galpão fechado, se construiu o Teatro da Vila. Vejo nesse tipo de combinação fragmentos não só da cidade mas da educação do futuro. É quando se juntam cultura com a educação e as ruas com as escolas. Rua não é lugar de ameaça, mas de aprendizagem e convivência. A comunidade cuida de sua escola como se fosse uma extensão de suas casas.
Por essas e por outras, amo tanto o bairro que adotei desde que me mudei de Nova York.
Gilberto Dimenstein, na Folha

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments