Todo mundo já ouviu falar do livro Metamorfose de Kafka, o livro em que o personagem Gregor Samsa amanhece transformado num inseto e morre de depressão na janela. Aliás, janelas são lugares típicos onde morremos à espera de uma redenção que nunca chega. O próprio Kafka volta a essa imagem outras vezes em sua obra.

Um dos trechos inesquecíveis é quando a jovem barata passeia pela parede do quarto. Sei que especialistas dirão que Kafka munca usa a palavra “barata” no livro, mas os especialistas aqui pouco importam, a tradição dos leitores imortalizou a barata em Kafka. Ela é parte da formação de qualquer amante da literatura. E mais: o importante na leitura de um livro como esse é como ele faz você ver a barata no seu espelho. Em Kafka, a literatura se realiza quando você vê a barata refletida no espelho. Ao final, a barata Samsa morre de tristeza na janela.

Luiz Felipe Pondé, em Contra um mundo melhor: ensaios do afeto (LeYa)
Imagem: Internet

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