Não se pode deixar de pensar no panfleto de Luciano, que escreve no final da era antonina Contra um bibliômano ignorante. E descreve uma personagem grotesca, que adquire com avidez livros, que os mercadores cinicamente lhe vendem como valiosíssimos: ele não lê, mas “olha para os rolos com olhos arregalados, é como um cego diante da beleza de um rapaz”, talvez imagine que “as estantes se impregnam de doutrina ao sustentar os escritos de tantos doutos autores!” Tais são alguns dos motivos mais comuns utilizados nesse gênero de invectivas.

Ainda no tempo de Petrônio, Sêneca escarnece das casas dos ricos, cheias de livros nunca lidos. A biblioteca é ornamento obrigatório, como a sala de banhos ou as termas: os livros fazem boa figura na sala de jantar.
 
Luciano Canfora, em Livro e liberdade (Casa da Palavra)

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