A PAIXÃO PELOS LIVROS É A MAIS BENÉFICA das compulsões humanas. A bibliomania, o “furor de ler livros e de os ter”, como definiu d’Alembert, garante a quem por ela é acometido prazeres sutis e constantes. Para um bibliômano como Montaigne, a companhia de livros é preferível à dos homens e das mulheres. A biblioteca é uma espécie de harém , nas palavras de Emerson, ou a própria imagem do paraíso, na opinião de Borges.

Flaubert nos apresenta a história do louco por livros que chegou ao extremo do assassinato. Já Milton advoga que a morte de um livro é mais odiosa que a morte de uma pessoa. “Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita à imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus.” Tanto poder fez do livro uma ameaça a impérios. Condenado que foi por ler e pensar por conta própria, o russo Chalámov, em texto inédito no Brasil, reconta sua dolorosa passagem pelos campos de concentração soviéticos através dos raros livros que pôde ler. À mesma época, do outro lado do mundo – a política e geograficamente -, Saroyan enfrentava o dilema entre separar-se de seus livros ou sobreviver.

Julio Silveira e Martha Ribas (orgs.), em A paixão pelos livros (Casa da Palavra)

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments