Reforçando a imagem de “O Cara”, gibi está longe das boas produções em quadrinhos lançadas este ano

Por Paulo Floro
Depois dos cinemas, o presidente Luís Inácio Lula da Silva ganha uma biografia em quadrinhos. A obra chegou às bancas há algumas semanas do final do mandato sem a repercussão esperada. Com um tom governista, o gibi tem na capa a inscrição: “Com uma mensagem do presidente Lula para você”.

Com o pomposo título de Lula – Luiz Inácio Brasileiro da Silva, a HQ é lançada pela editora Sarandi, desconhecida no meio dos quadrinhos e ligada ao mercado de livros didáticos. Depois de Lula, outros personagens históricos ganharão biografia, como Getúlio Vargas, Giuseppe Garibaldi e Juscelino Kubitsheck.

Quem assina o gibi é Toni Rodrigues, publicitário e autor de livros infantis e Rodolfo Zalla, argentino radicado no Brasil desde 1963. Apesar de vir à tona no fim da era Lula, o roteiro da HQ não mostra interesse na Política. É mostrado desde o início episódios marcantes da biografia de Lula de modo a evidenciar o lado mais humano do presidente. As disputas presidenciais são mostradas de forma breve, apressadas, até.

O texto também é engessado e não utiliza nenhuma das possibilidades que o gênero HQ oferece. Lembra o tempo todo de livros escolares dos anos 1980 que adaptavam clássicos da literatura ou contavam eventos históricos em formato quadrinhos. Apesar de ter seu valor educativo de apresentar a linguagem sequencial para crianças, essas obras, hoje, não acrescentam nada à (boa) recente produção do quadrinho nacional.

Não existe nem mesmo uma trama. As páginas mostram apenas uma amontoado de informações já sabidas sobre a vida de Lula. Isso destoa com a arte de Zalla, tido como um mestre dos quadrinhos. Ele é autor de histórias de horror, publicadas nas revistas Calafrio e Mestres do Terror. Hoje, esses materiais são uma raridade. Aos 80 anos, o gibi de Lula marca o seu retorno ao mercado.

Lula, a HQ, deve chegar a alunos em idade escolar, o que é uma pena, já que a obra tem um tom nacionalista, seja pelo roteiro ou pela carta que o próprio escreveu quando recebeu o pedido de autorização de imagem. Seus 37 mil exemplares impressos representam um número expressivo dentro do mercado nacional.

Assim como foi o filme Lula – O Filho do Brasil, esta HQ não deve ter o sucesso pretendido. Esperamos uma obra, em HQ ou outra arte que mostre uma visão mais crítica do presidente. E antes que Lula ou alguém abra a boca para soltar o bordão “nunca antes na história desse País”, é bom saber que outros presidentes já tiveram suas versões em quadrinhos, todos com resultados tão irrelevantes quanto esse.

Lula – Luiz Inácio Brasileiro da Silva tem 52 páginas e custa R$ 4,95.

Fonte: JC Online

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