Quando Jacob Lewis, ex-editor da revista New Yorker, ajudou a criar a versão beta do site Figment com Dana Goodyear, redatora da mesma publicação, o imaginou com uma espécie de Facebook literário para adolescentes. “Eu pensava que seríamos a rede social de ficção para jovens e adultos”, disse Lewis. “Mas ficou claro logo no início que as pessoas não querem um novo Facebook”.

Os jovens no site não estavam muito interessados em “fazer amizades” uns com os outros. O que queriam, disse ele, “era ler, escrever e descobrir novos conteúdos.”

O Figment.com será lançado nesta segunda-feira como uma experiência de literatura on-line, uma plataforma gratuita para os jovens lerem e escreverem ficção, tanto em seus computadores quanto nos celulares. Os usuários serão convidados a escrever romances, contos e poemas, colaborar com outros autores, dar e receber feedback sobre o trabalho publicado no site.

A ideia do Figment nasceu de uma invenção do século 21, o romance de telefone celular, que chegou aos Estados Unidos por volta de 2008. Em dezembro daquele ano, Goodyear escrever um artigo de 6 mil palavras para a New Yorker sobre garotas japonesas que estavam ocupadas escrevendo ficção para telefones móveis. No artigo, ela declarou que aquilo “era o primeiro gênero literário que surgira na era dos celulares”.

O site é uma tentativa de importar a ideia para os Estados Unidos e expandi-la. Lewis, que estava sem trabalho depois de sair da Portfolio, a revista da Conde Nast fechada no ano passado, tornou-se parceiro de Goodyear, e os dois trabalharam com escolas, bibliotecas e organizações literárias em todo o país para recrutar centenas de adolescentes que se dispuseram a participar do protótipo, cuja versão de teste foi lançada em junho.

“Queríamos que as pessoas fossem capazes de escrever o que quisessem em qualquer forma que quisessem”, disse Lewis. “Oferecemos um pedaço de papel e dissemos ‘vá'”. Ele acrescentou que até agora as contribuições incluem ficção científica, biografias e longos romances. “Há muita seriedade e exigência de qualidade no que estão fazendo.”

Adolescentes e seus hábitos de leitura têm sido objeto de fascínio na indústria editorial recentemente. Eles são a força motriz por trás de grandes best-sellers como a série Crepúsculo, de Stephenie Meyer, e da cultura de romances paranormais que se seguiu. Os editores estão ansiosos para aprender mais sobre seus hábitos de leitura e oferecer livros para eles.

Lewis disse esperar que o Figment atraia mais de 1 milhão de usuários e sirva de oportunidade para editores percorrerem o site em busca de novos talentos, ou promover seus próprios autores, oferecendo trechos de livros. “Para os editores esta é uma oportunidade maravilhosa não só para chegar aos consumidores, mas para descobrir informações valiosas sobre como ele lêem.”

Várias editoras já aderiram. A Running Press Kids, do grupo Perseus Books, oferecerá um trecho de Purple Daze, um romance histórico para adolescentes escrito por Sherry Shahan. (O Figment cobrará uma pequena taxa das editoras pelo privilégio.)

David Steinberg, presidente-executivo da Perseus, disse que vê o Figment como uma oportunidade para oferecer o conteúdo da empresa para adolescentes. “A cultura teen é um alvo em constante movimento”, disse Steinberg. “Estamos procurando por parceiros que estejam profundamente enraizados na forma como os adolescentes interagem”.   

Fonte: Veja

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