Mario Vargas Llosa fez nesta terça-feira, 7, em seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel, um elogio à leitura “a coisa mais importante” que lhe aconteceu, e à literatura, convencido que inventamos as ficções para podermos viver “de alguma forma” as muitas vidas de “gostaríamos de ter”.
Vargas Llosa, em seu discurso de aceitação, o ato mais importante da “semana Nobel” além da entrega, na próxima sexta-feira, do prêmio, destacou que a literatura, além de nos levar ao sonho da beleza e da felicidade, nos alerta contra toda forma de opressão.

O escritor peruano assegurou que, sem as ficções, o homem seria menos consciente da importância da liberdade para que a vida seja vivível, e o inferno em que esta se transforma quando é machucada por um tirano, uma ideologia ou uma religião.

Na grande sala da Academia sueca e assistido por sua família e mais de uma centena de amigos, e ante aos acadêmicos suecos, o escritor atribuiu aos nacionalismos as piores “carnificinas da história, como as guerras mundiais e a sangria atual do Oriente Médio”.

“Detesto toda forma de nacionalismo, ideologia – mais precisamente religião -, de curto voo, excludente, que recorte o horizonte intelectual e dissimula em seu seio prejuízos étnicos e racistas”, assinalou o autor peruano, que também tem nacionalidade espanhola.

Mesmo assim refletiu sobre “os choques” de nossa época e citou os “terroristas suicidas”. Alertou que “novas formas de barbárie” proliferam “atiçadas” pelo “fanatismo”, e sobre a multiplicação de armas de “destruição em massa”.

“É preciso alcançá-los, enfrentá-los e derrotá-los”, disse um combativo Vargas Llosa, de 74 anos, que incentivou a não nos deixamos “intimidar” por quem queira “arrebatar a liberdade”.

Em seu discurso, intitulado “Elogia da leitura e da ficção”, Vargas Llosa homenageou sua mãe e seus mestres, entre os quais citou Flaubert, Faulkner, Cervantes, Dickens, Tolstoi e Thomas Mann.

fonte: Estadão

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