Confira todas as fotos do evento no final do post.

Num bate-papo altamente divertido e extremamente inteligente mediado pelo blogueiro Sérgio Pavarini, Luiz Felipe Pondé e Ed René Kivitz discorreram sobre o polêmico tema do mais novo livro do professor da PUC-SP e colunista do jornal Folha de S.Paulo: Contra um mundo melhor. O papo rolou num evento promovido pela editora LeYa na livraria Saraiva do Shopping Paulista, na noite chuvosa de 30 de novembro.

Na contramão dos mais otimistas, Pondé convida os leitores a (re)pensar sobre o que realmente significa um mundo perfeito. Diferentemente de grande parte das mentes mais influentes, Pondé fala tão bem quanto escreve, provocando seu ouvinte/leitor a refletir e, invariavelmente, concluir que a ideia de um mundo perfeito é mais fantasiosa do que história de Papai Noel.

Ed René endossou a proposta do filósofo e ainda acrescentou que o movimento de Jesus de Nazaré (o Reino de Deus) é totalmente oposto aos que acreditam num mundo perfeito. Segundo o pastor da Igreja Batista de Água Branca, a graça só faz sentido devido à nossa humana imperfeição.

Para entender melhor a grandeza do evento, confiram alguns depoimentos de blogueiros que estiveram lá para curtir o papo:

“Pondé e Kivitz, filosofia e teologia, um papo leve e descontraído, porém é aquele papo que vai ficar martelando em sua mente por vários dias. Primeiramente , vem aquela pergunta: como ainda eu não tinha enxergado o assunto por esse ângulo? Segundo, esse tipo de encontro abre o horizonte para refletir sobre a vida,fazendo  algumas (in)certezas que temos desmoronam como castelos de cartas no ar. E terceiro, eventos como esses deveriam acontecer mais frequentemente” (Alex Fajardo – blog Alex Fajardo)

Pondé pôs em xeque a ideia de que a perfeição é o caminho para um mundo melhor.

Provocado pelo irreverente Pavarini e com reações brandas de Kivitz, o filósofo jogou solvente no mundo cartesiano daqueles que apostam em fórmulas fugazes e utópicas como meio de encarar a vida.

Oscar Wilde disse que “não é o perfeito, mas o imperfeito, que precisa de amor” e o Pondé, o apache do “politicamente correto”, ratificou isso muito bem. Aliás, ficou claro que são os imperfeitos que dão os melhores matizes e contrastes de um mundo real e não melhor.

(Moisés Lourenço – blog Mera Palavra)

“O papo foi ótimo. Não deixei escapar sequer uma vírgula daquilo que foi dito. Ed René Kivitz e Luiz Felipe Pondé são donos de mentes privilegiadas. A verve incandescente de um aliada à vasta intelectualidade provocativa do outro, respectivamente, deram um tom agradável à mesa. Soma-se a isso a capacidade brilhante de mediação do Sérgio Pavarini que conseguiu guiar uma discussão filosófica de maneira descontraída e bem-humorada. Recomendo a leitura de “Contra um Mundo Melhor” (LeYa). Nele, Pondé desestabiliza, inquieta: “Grandes planos podem dar em nada, ter fé pode levar você ao fracasso”. A noite foi memorável. Adorei.” (Laion Monteiro – blogs Laion Monteiro e Celebrai)

“Não sou contra nem a favor, muito pelo contrário. Também pudera, esse título ‘Contra Um Mundo Melhor’ traz muitas possibilidades de interpretação. Pondé em seu mais recente livro, explica-nos que sua intenção é desmontar o movimento de rebanho, representado pela postura do politicamente correto que se engaja em patrulhamento de comportamentos e aparências. E insiste em trazer fórmulas prontas e simplórias. Uma cruzada contra a mediocridade.

Há que se desmontar paradigmas da moda, modelos mentais excessivamente rígidos e o jeito impensado de ser. Assim se manifesta o arguto intelectual e filósofo provocador. Seus conselhos são de cores fortes no pragmatismo. É o tal de ‘levar para a concretude’. Me parece, a mim que estou de longe a observar,  que ele quer transformação. As palavras podem ser vazias. Daí que o muito falar, sem que haja mudança, é hashtag para fail. Muito blablablá, para ficar no mesmo lugar. Um ‘me engana que eu gosto’ de um mundo melhor, mas que só anda de lado. Ou melhor, em círculos, como nos alertou Galileu.

E se não bastasse o que contribui o autor, pede-se que Ed René Kivitz se expresse. Este, que é outro iconoclasta que não sossega em desmontar as presas manipuladoras da religião e as práticas corrompidas de seus líderes. Vai aos poucos elaborando por conta própria até chegar ao centro de tudo: Jesus. Uma covardia brutal contra o autor que, mesmo ateísta, reconhece que há gentileza nos céus. Mas essa é a natureza dos ‘tocados’. Sim, uma vez tocado por ele, quem vai se calar? Kivitz traz um endosso do mestre que dizia: “o meu Reino não é deste mundo”. Esta aí um gancho para se dedicar à Utopia. E uma oração: “Que venha o Teu reino!”

Luiz Felipe Pondé vai continuar em sua toada demolidora. Como contraponto, o que construir em seu lugar? Bem que pode ser esse outro reino.” (Volney Faustini – blog do Volney)

“O dia 30 de novembro de 2010 foi marcado por algo simplesmente impressionante: frente a frente estavam Luiz Felipe Pondé, um dos filósofos influentes atuais, e Ed René Kivitz, teólogo controverso no meio evangélico. Estes dois estavam reunidos para um bate-papo sobre o lançamento do livro “Contra um mundo melhor”, sendo esta conversa intermediada pelo nosso querido blogueiro Sérgio Pavarini.

Com uma conversa de altíssimo nível, porém inteligível para todos os presentes naquele auditório, ouvimos duas opiniões antagônicas sobre o tema proposto pelo livro de Pondé, uma sob o ponto de vista filosófico e a outra sob o ponto de vista religioso. Sob o prisma filosófico, a critica proposta por Pondé em seu livro é a de que um mundo virtuoso seria um verdadeiro inferno, por isso ele não crê em um mundo melhor. Aliás, segundo palavras do próprio autor ‘ele não confia em ninguém que queira mudar o mundo’. Embora a ideia seja provocante, produzindo a idéia de um ceticismo agonizante de que viver não faz sentido, os ouvintes puderam ouvir a temática de Pondé com muita leveza e sobriedade. As ideias postas na mesa por ele foram excelentes, sendo que dois argumentos da fala do filósofo marcaram minha mente: “Deus para mim continua sendo uma idéia mais elegante”, e “um mundo melhor é impossível uma vez que todos têm vícios”.

Contrapondo esta proposta, tínhamos Ed René. Sob o ponto de vista religioso, ele afirmou que a Boa Nova de Cristo contém as ‘ferramentas necessárias que podem melhorar o mundo’. As ideias postas na mesa por ele foram bem tecidas, sendo que o ponto mais alto de sua argumentação foi quando disse ao Pondé: ‘Acho que você iria adorar conversar com Jesus’.

Enfim, foi uma noite memorável daquele que nunca mais podemos tirar dos recônditos de nossa alma. Quem quiser um pouco mais, não deixe de ler o livro ‘Contra um mundo melhor’. (Victor de Almeida Silva – blog Celebrai)

fotos: Alex Fajardo

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