Há 3 anos trabalhando em uma biblioteca em Roraima, a agricultora Alcinda Pinho Cadete ajuda a mudar a vida em uma comunidade rural no estado. Ela incentiva os moradores a lerem, escreverem e a contarem histórias.

Um dos frequentadores do local é o seu Altair, que não sabe ler nem escrever. “Conheço as letras, mas não sei juntá-las para ler. Essa é minha dificuldade. Eu não sei. Não entra na minha cabeça”, disse ele, que hoje faz parte do projeto realizado na comunidade da vicinal Rio Branco, em Cantá.

Aos 53 anos, Alcinda Cadete assume o papel de contadora de histórias na biblioteca. Ela trabalha como voluntária do Programa Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. “Infelizmente, grande parte não domina a leitura. Precisávamos desse público na biblioteca para receber informações precisas. Temos volumes essenciais a essas informações para o homem do campo, o pescador, o trabalhador da agricultura familiar, a dona de casa e a própria criança”, disse ela.

Na comunidade, crianças, adultos e idosos ficaram fascinados pelo conhecimento proporcionado pela leitura. Nem todos sabem ler, mas estão sempre dispostos a ouvir.

Um galpão foi improvisado com restos de madeira e serve de abrigo para os livros, para os leitores e artesãos. Eles utilizam o espaço para a criação de peças que são vendidas na capital, Boa Vista. O espaço fica aberto todos os dias.

Hoje, a biblioteca tem mais de 600 exemplares à disposição dos moradores, todos por meio de doações. “Tenho observado o trabalho dessas agentes dentro da própria agricultura. Elas abordam o tratorista e o trabalhador rural”, disse o agricultor Jair Ribeiro.

A Arca das Letras mudou a vida de 39 famílias da região. Pessoas de localidades vizinhas também podem aproveitar o projeto. Hoje, dona Alcinda comemora algumas pequenas mudanças que já conseguiu notar na comunidade.

“Me emocionei quando minha comadre que nunca foi à escola conseguiu ler as vogais. Para mim, isso foi uma vitória, pela idade, ela conseguir decifrar o numeral e as vogais”, disse Alcinda.

O trabalho da dona Alcinda foi premiado pelo Ministério da Cultura e ela recebeu R$ 20 mil. O dinheiro será investido na biblioteca, que vai ganhar um computador e mais espaço para os livros e atividades culturais.

Fonte: Portal Amazônia, com informações do Globo Rural

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