Capa do livro"Crepúsculo e a História", de Nancy Reagin

Se alguém lhe contasse que 15 pesquisadores de universidade de vários países do mundo, como Estados Unidos, Canadá, Áustria, Inglaterra e Austrália, escreveram um livro analisando as raízes históricas dos personagens da saga “Crepúsculo”, você tenderia achar que era mentira, mas é a mais pura verdade. Organizado pela professora Nancy Reagin, da Universidade de Pace (EUA), e uma fã da história de Bella e Edward, “Crepúsculo e a História” reúne, em 13 capítulos, explicações que deixariam até mesmo os fãs mais fanáticos surpresos.

Por exemplo: por que Edward Cullen muitas vezes se comporta de maneira machista com Bella Swan? E por que ela não se sente inferior quando está com Jacob Black? Nancy explica que, por ter 109 anos (!!!), Edward possui uma cabeça de um homem do início do século XX. Por outro lado, Jacob é da mesma geração da protagonista e sua maneira de pensar é mais parecida com a dela.

– Quando Edward nasceu, as mulheres nos Estados Unidos não tinham direito ao voto, distribuir qualquer informação sobre controle de natalidade era ilegal e a maioria dos bancos não permitia que uma mulher casada tivesse sua própria conta sem a permissão do marido. Assim, quando se trata da relação entre homem e mulher, Edward é totalmente do século passado. Já Jacob vem do mesmo tempo e cultura do que Bella. Por causa disso, ele a trata como uma igual, é bondoso. Eles brigam algumas vezes, mas ele nunca diz a ela que fará o que for melhor para ela. Bella se sente confortável com Jacob, enquanto sempre se sente inferior com Edward – explica Nancy Reagin.

O livro também se debruça sobre as histórias de personagens que não têm tanto destaque, como Carlisle Cullen (figura paterna dos Cullen), e Alice Cullen, irmã adotiva de Edward. “Crepúsculo e a história” contextualiza a Londres do século XVII em que Carlisle nasceu e como isso afeta as suas relações com o próprio Edward. Na obra, a internação de Alice também é explicada a partir da maneira como era encarada a questão psiquiátrica naquela época.

A paixão de Nancy sobre a saga de Stephenie Meyer começou com seu filho: os livros já tinham se tornado um fenômeno na escola e, de tanto ele insistir, ela acabou lendo e se apaixonando pela história. Ela diz que o trabalho só foi possível porque a própria autora localiza historicamente onde cada personagem nasceu. A professora refuta a ideia de que se trate de uma fan-fiction.

– Foi muito divertido explorar a história por trás da saga, mas “Crepúsculo e a história” não é uma fan-fiction, pois não é ficção. É mais uma leitura para fãs de uma história popular que querem saber mais sobre ela.

Saga ganha versão em graphic novel

A história de Stephenie Meyer já ganhou as telonas há algum tempo e a mais nova fronteira a ser desbravada e devidamente conquistada é o mundo dos quadrinhos. O primeiro livro da série teve sua versão para HQ feita pela artista coreana Young Kim e foi lançado no Brasil pela Editora Intrínseca. A autora, inclusive, participou de todo o processo e considerou fascinante a experiência de levar Bella, Edward e companhia para os quadrinhos. Os mais puristas podem ficar incomodados, mas Kim não se preocupou em seguir fielmente os traços de Kirsten Stewart e Robert Pattinson, protagonistas da saga no cinema. Agora só resta saber se os fãs vão aprovar.

Fonte: O Globo

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