Justin Bieber, Fiuk, Luan Santana e Geisy: todos têm até 21 anos e uma biografia nas prateleiras (ou quase). Mas o que eles têm a dizer?


Carina Martins

Na lista dos livros mais vendidos no Brasil já está a “biografia não-autorizada” do cantor canadense Justin Bieber, 16. Mas uma campanha online mobiliza fãs para que o recém-lançado “O Diário de Fiuk”, história da vida do cantor de 20 anos, também entre para o ranking. Nas de amigo-secreto de escolas, certamente, já tem lugar cativo. Para isso, a editora se preparou e imprimiu 30 mil exemplares, dez vezes mais do que a tiragem padrão nacional. Creative Books, mesma editora que publicou a vida de Fiuk, prepara a biografia do também cantor Luan Santana, 19, para os próximos meses. Pouco antes deles, no mês passado, a ex-universitária Geisy Arruda lançou a sua, aos 21 anos. Em comum, além das vidas nas prateleiras, os quatro têm a idade inversamente proporcional ao espaço na televisão. E o potencial de provocarem a questão: “mas o que eles podem ter a dizer em uma biografia”?

Foto: Divulgação Capas de Fiuk e Geisy

A resposta mais precisa provavelmente é encontrada quando a pergunta sofre uma mudança sensível na premissa: “biografia”, nesses casos, é mais um termo técnico do que qualquer outra coisa. “No caso de Fiuk, optamos por colocar “Diário” no título até para não ficar com a ideia de biografia”, diz André Castro, diretor da Creative Books. “É claro que tem um pouco de dados biográficos, mas é mais sobre o que ele pensa, uma versão oficial do artista sobre determinados assuntos e situações”. E fotos. Ele explica ainda que os livros são uma resposta à frustração de fãs que nem sempre encontram o tipo de material que gostariam de ver sobre seus ídolos em revistas e sites.

Isso ajuda a entender, sem precisar de grande poder de dedução, a razão de a obra “não-autorizada” sobre Justin Bieber publicada pela editora Prumo começar, antes mesmo do texto, com uma lista de sites e referências de apoio ao cantor, além de números de citações sobre ele em redes sociais. O “não-autorizada”, neste caso, indica apenas a diferença sobre quem leva a fatia sobre o preço de capa – o cantor lançou, quase simultâneamente, uma autobiografia “100% oficial”.

O conteúdo pode ser mais ou menos bem trabalhado em cada uma das obras, mas não difere muito. A “não-autorizada” de Justin, antes aposto de biografias polêmicas, encerra sua frase de abertura com uma exclamação. Quase em coro com os leitores – sim, são livros para fãs.

É aí que a pergunta do início passa a desenhar uma resposta mais precisa: se são livros para fãs, ainda cabe questionar o que os “biografados” têm a dizer? “Não é uma biografia que uma pessoa que não é fã vá querer ler”, diz André. Para efeito de comparação, ele cita duas outras biografias de cantores atualmente na lista dos mais vendidos: “Vida”, de Keith Richards, e “50 Anos a Mil”, de Lobão. “São livros que você não precisa ser fã para ler, são obras de interesse mais amplo”.

De grande, a pretensão das publicações de celebridades teen (ou quase) tem só os números. A obra sobre a vida de Fiuk foi feita em seis meses. A de Luan Santana deve ficar pronta na metade do tempo. Não é muito. São escritas com a ajuda de jornalistas contratados para realizar entrevistas, pesquisas e cuidar do texto. Como as biografias – mesmo as assinadas pelo objeto de estudo – costumam ser. O foco é que é outro, quase material de divulgação. “A gente se preocupa com o artista e com quem compra, os dois têm que gostar”, diz André. “Se as pessoas querem, por que não atender? Quem critica é porque não gosta do Fiuk e já não compraria mesmo”.

Fonte: IG

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