Elites temem que destruição possa levantar conflitos religiosos e que conservação torne livro em objeto de culto

Um Corão escrito com 27 litros do sangue de Saddam Hussein no final da década de 1990 – e descoberto em 2003 – levantou recentemente um dilema religioso ao atual governo iraquiano, que pretende desfazer-se de todos os “objetos de culto” do antigo ditador do país.

Descoberto na caixa-forte de uma mesquita no oeste de Bagdad, durante as buscas de 2003, o livro deixa os líderes do país com uma decisão em mãos: destruir o livro sagrado ou conservá-lo, preservando o que é também um símbolo e uma prova da brutalidade de Saddam, correndo o risco de que se transforme num objeto de culto do ditador.

Segundo refere o jornal The Guardian, decidir o que fazer com o Alcorão deixa não só a elite política, mas também a religiosa, uma questão bastante mais complicada que a remoção das estátuas do ditador. Não sabem onde poderão destruir o livro, caso seja esta a decisão, onde o expor, se a opção for esta.

Por outro lado, as opiniões dentro do próprio poder político dividem-se entre aqueles que pretendem apagar a história e aqueles que argumentam que um livro escrito com sangue é testemunho da loucura de um homem.

De acordo com o jornal britânico, o Corão em questão foi escrito durante dois anos no final dos anos 90 com cerca de 27 litros de sangue do ex-ditador. O livro encontrava-se escondido num cofre, protegido por várias portas, cujas chaves tinham sido confiadas a vários líderes religiosos.

De momento, o livro vai permanecer encerrado e escondido, face à possibilidade de motivar violentos choques religiosos ou de intensificar a cólera de alguns grupos que apoiavam o antigo líder iraquiano.

Fonte: IOL

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