“É melhor você não mexer/No bem e no ruim/ É melhor você deixar/Tudo bem assim”. Os versos são de Bárbara Bela, não a amada do poeta inconfidente Alvarenga Peixoto, mas de uma menina tijucana de 10 anos. Com ela, outras 18 crianças da Oficina Literária San Juan de La Cruz, que funciona na Rua Mariz e Barros, lançaram o livro de poesias “Nada literal”.

A publicação, com tiragem de mil exemplares, é resultado de um trabalho voluntário envolvendo estudantes de Letras da Universidade Veiga de Almeida, pais e freis da Igreja de Santa Terezinha.

A professora do Curso de Graduação em Letras, Laura Miranda é a coordenadora pedagógica da oficina literária, realizada com crianças carentes na Basílica Santa Teresinha do Menino Jesus. A oficina literária acolhe crianças de 7 a 13 anos. São eles os responsáveis por todo o trabalho do livro, desde os poemas até as ilustrações. A professora Laura explicou como surgiu a ideia. “A iniciativa surgiu com as alunas da disciplina de literatura juvenil. E tudo aquilo que é visto nas aulas é posto em prática. As crianças são de escolas da região da Tijuca, geralmente públicas”, disse.
A coordenadora geral, Lenora Carraro acrescentou que a oficina tem dez meses e que o trabalho tem dado certo. Todos os alunos participantes do projeto aumentaram as notas na escola e passaram de ano direto. Ela também falou sobre os projetos futuros. “Para 2011 estamos preparando a 2ª edição do livro, reeditada, revisada e bilíngue (português/espanhol), além de um documentário, que também vai ser feito pelas crianças”, afirmou.  “Queremos promover o gosto pela leitura e pela escrita, um pouco esquecido devido à presença de computadores e videogames ” explica a coordenadora.

Lenora fez questão de dizer que todas as decisões tomadas pela oficina passam pelo conselho representante, formado pelos próprios alunos da oficina literária. Gabriel Henrique Caldas, de 12 anos, Elias Silva Lemos, de 11 anos, e Erick Viana, de 13 anos, são os conselheiros mirins que participam da escolha das atividades do projeto.

Aluna do último período do Curso de Graduação em Letras, Fernanda Cunha, é uma das voluntárias da oficina. “É gratificante ensinar a crianças que não teriam acesso a literatura. É bom saber que de alguma forma estou contribuindo para isso”, disse. Ela também estava apresentando sua obra, o livro Poemas e Letras, que, como ela mesma classifica, é uma maneira lúdica de trabalhar a gramática.

Nicole Lemos, de oito anos, é uma das autoras mirins do livro e falou sobre o que acha mais legal na oficina. “A gente aprende sobre literatura. Aí, quando a gente aprende, eles fazem um passeio”, disse a pequena. Hugo Virgílio, de 12 anos, falou da oportunidade de participar da oficina. “Eu tava em aula. Chegaram e falaram da oficina e não é todo dia que oferecem uma oficina literária. Eles despertam o interesse sobre literatura”, disse o pequeno escritor, que tem, inclusive, um livro em sua autoria publicado, o Mistério da casa rosa.

Fonte: O Globo

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