O projeto Libboo tem um objetivo nobre: mudar a maneira pela qual se escrevem e leem livros, criando o que seria o primeiro romance global. Não é uma tarefa fácil, mas se trata de um projeto que tem um atrativo pontencial para todos os aspirantes a escritores – e que pode incomodar aqueles que ganham a vida como escritores. As informações são da BBC.

O Libboo é uma criação de Chris Howard, um professor britânico da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Em poucas palavras, ele está usando o crowdsorcing (a colaboração das comunidades por meio da internet) e um curioso algoritmo para capturar a imaginação – em mais de um sentido. Segundo Howard, não haverá apenas um autor, mas uma multiplicidade de autores, no que ele chama de “maior experimento literário da história”.

“Sabemos que há muita gente aí fora que gosta de escrever, mas talvez não goste de fazer textos longos, e nos perguntamos como poderíamos fazer para que essas pessoas escrevessem algo que outros quisessem ler. Queremos fazer algo novo, mas tentando colocar a escrita no modo social”, disse ele em entrevista à BBC.

O experimento

Howard quer que o máximo de gente possível escreve de cem a mil palavras. E não se assustem, humildes principiantes: o primeiro capítulo vai determinar o cenário e servirá de fonte de inspiração para o resto do livro.

A versão beta recém-iniciada é um romance chamado O voo do cavalo de fogo. Howard já abriu as inscrições e espera que participem cerca de mil pessoas. Para o livro real, que prevê publicar ainda em 2011, a inspiração é um romance de mistério chamado Paradoxo: a curiosa vida e misteriosa morte do sr. Joseph Wheeler.

Howard já convenceu um erudito a escrever o primeiro capítulo. O professor Richard Wiseman, que granjeou reputação no estudo de áreas não muito usuais da psicologia (como o humor, o paranormal, a sorte, o engano e a ciência da autoajuda) dará o tom e procurará outros escritores para resolver o mistério.
Tanto na versão beta como no experimento que envolve o professor Wiseman, centenas ou milhares de pessoas poderão escrever o capítulo seguinte e todo mundo poderá ler. E assim se sucederá – o que sem dúvida fará com que o livro resultante dê voltas em direções diferentes conforme a inspiração dos escritores a partir das contribuições anteriores.

Os ramos de uma árvore

Howard descreve a experiência como se fosse uma árvore onde as pessoas podem navegar por meio da história seguindo os diferentes ramos. Cada um é diferente, e oferece uma nova história.
Na hora de escolher os capítulos que serão publicados ele recorrerá à informática: um algoritmo segue discretamente as rotas mais populares ou de maior sucesso através da árvore.
“Queremos chegar a todos os aspirantes a escritores, quer sejam pessoas que trabalham em um escritório e têm apenas 20 minutos livres ou aqueles que se julgam como potenciais autores”, disse Howard.
“O sucesso do experimento depende em grande medida do número de pessoas que participem. Se tivermos muito poucas pessoas, as estatísticas não serão suficientemente altas para julgar o que as pessoas mais leem através da árvore”, explicou.
Howard insiste que não está “tratando de substituir a forma como os livros são escritos hoje em dia”, mas “facilitando uma nova forma para que as pessoas leiam e escrevam de maneira acessível a todos”.
Além disso, comentou que os editores estão observando com interesse o experimento. O dinheiro do projeto se destinará à Fundação de Alfabetização. “Todo nosso etos é encontrar novas maneiras de escrever livros. Para mim, isto é como uma nova era”, concluiu Howard.
Mais informações sobre Howard e o projeto Libboo podem ser encontradas no site www.libboo.com/, ou seguindo os perfis no Twitter (@libboo) e no Facebook (www.facebook.com/pages/libboocom/197884672139).

fonte: Terra

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