O tédio dos engarrafamentos é combatido com a ajuda de audiolivros. O formato, em crescimento no Brasil, tem conquistado não-leitores que preferiam o entretenimento musical. Foto: Alex Costa

Produto em ascensão no mercado editorial, o audiolivro tem conquistado um público que não abre mão do formato tradicional, impresso. Ao invés de se colocar como uma alternativa aos livros de papel, a versão sonora tem tomado o lugar dos CDs e MP3s de música

Os engarrafamentos têm deixado de ser encarados como uma completa perda de tempo. É o que diz quem tem recorrido às narrativas em áudio para se entreter no período em que permanece no trânsito. Audiolivros de diferentes gêneros e até específicos para concursos públicos têm ganhado cada vez mais espaço nos carros dos brasileiros. Editoras contam que a procura por esses títulos tem aumentado em consequência da correria do dia a dia.

“Mas ainda é bem inferior à que existe nos EUA, onde essa realidade é antiga. Lá, tudo o que sai em papel tem sua versão lançada em áudio. E 70% dos consumidores ouvem as histórias dirigindo”, conta a diretora da editora Livro Falante (especializada no setor), Sandra Silvério.

Considerando que os paulistanos costumam gastar pouco menos de três horas por dia no trânsito, de acordo com dados divulgados em setembro pela pesquisa Movimento Nossa São Paulo/Ibope – Dia Mundial Sem Carro 2010, e que um audiolivro médio dura entre três e cinco horas, dá para se ter uma ideia do volume de conteúdo que seria possível assimilar em um ano.

“Hoje temos títulos de gêneros variados. É uma opção que distrai e que informa ao mesmo tempo. Muitas pessoas optam por escutá-los, inclusive, enquanto se exercitam”, conta Sandra. A especialista em literatura Mirian Puzzo reconhece que essa é mais uma ferramenta literária, mas, segundo ela, não substitui a leitura. “É uma forma de aprendizado que é melhor aproveitada por quem tem uma compreensão multimídia. Se a pessoa se distrai com o trânsito, por exemplo, pode acabar perdendo muita coisa”´, diz.

A psicóloga Cláudia Greco, 43 anos, conta que não abre mão dos livros impressos. “Mas ouço audiolivros com meus filhos em viagens e quando faço longos percursos na cidade. Conheci autores e ouvi histórias bem contadas por meio deles”. O proprietário da Audiolivro Editora, Marco Giroto, resolveu investir no ramo depois de enjoar das músicas que ouvia no trânsito. Hoje, no estúdio que montou, ele trabalha com tecnologia de áudio em 3D.

“Com um fone de ouvido, a pessoa tem a sensação de estar no meio da história, porque os sons vêm de diferentes lugares e direções”, explica. Apesar de a produção desse formato de livro ser mais cara, o consumidor pode pagar até 15% a menos que do que pagaria em um livro tradicional. “A mídia é mais barata”, diz Giroto.

Fonte: Diário do Nordeste

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