Russ Grandinetti, Vice-presidente de conteúdo do Kindle, leitor eletrônico da Amazon

Quando a Amazon.com lançou o seu leitor de livro digital Kindle em 2007, nem todos perceberam que a empresa realmente estava reescrevendo a história de toda a indústria editorial do planeta. Três anos depois, o site campeão de vendas online já comercializou mais de 7 milhões de aparelhos Kindle, segundo estimativas da Cowen and Co. Isso significa que aproximadamente uma em cada 10 pessoas que fazem compras na loja virtual da Amazon, compraram seu Kindle. Este ano, projeta-se que as vendas do leitor e de livros digitais deve atingir quase US$ 2 bilhões, um aumento de 342% em relação a 2009, segundo a Cowen.

Quando se trata de livros digitais, a Amazon faz jus ao seu nome que sugere grandeza, controlando 76% do mercado dos EUA. Mas você não se torna dono de três quartos do mercado, sem causar alguns problemas. Sua decisão de adotar um formato que impede os leitores de transferir facilmente os livros digitais que compraram para outro aparelho além do Kindle irritou os rivais.

Até este ano, a Amazon insistia que todos os novos lançamentos vendidos em sua loja teriam o preço tabelado de 9,99 dólares ou menos. Isso enfureceu alguns editores, pois temiam que as vendas digitais seriam inferiores aos do lucrativo mercado de livros de papel.

A promessa recentemente feita pelo site de pagar aos autores que publicassem através da sua loja do Kindle uma taxa de royalty de 70% gerou medo e críticas das editoras sediadas. Esse valor é muito maior que os 25% de um contrato padrão de edição praticado hoje.

Do ponto de vista de Russ Grandinetti, que trabalha na sede da Amazon em Seattle, é hora de parar de se viver o passado e pular para o capítulo seguinte,  que poderá levar a indústria do livro a um admirável novo mundo digital. Vice-presidente de conteúdo do Kindle, Grandinetti é responsável por disponibilizar a maior quantidade de livros possível na loja do Kindle (hoje são 750 mil títulos).

Grandinetti concedeu uma entrevista recentemente para explicar o que norteia algumas das decisões que tem deixado o mundo mesquinho da publicação de cabeça para baixo.

Qual o propósito da Amazon com o Kindle?

Nossa visão é fazer com que todos os livros já escritos, em qualquer língua, que exista em forma impressa ou mesmo fora de catálogo, estejam disponíveis em 60 segundos. Nós queremos fazer com que a experiência do cliente seja ótima.

Como estão os negócios?

Nosso negócio tem crescido rapidamente. Vendemos três vezes mais livros no Kindle no primeiro semestre de 2010 que no mesmo período ano passado. Estamos vendendo mais livros no Kindle que livros de papel na Amazon.Não está longe o dia em que veremos a venda de livros digitais ultrapassar a dos livros de papel.

As editoras chiaram muito pelo fato do preço de um livro digital ser muito baixo. Você pode realmente aumentar seu negócio com os preços encolhendo?

Pensamos que os livros digitais devem custar menos que seus equivalentes impressos. Quando controlávamos o preço, fizemos o negócio todo girar em torno dos 10 dólares. Um pequeno grupo de editoras retomou o controle sobre seus preços e decidiram aumentá-lo. Não é surpresa que as editoras que estão aumentando os preços estão perdendo   mercado em relação às editoras que decidiram manter os preços baixos. Os clientes não são burros. Em última análise, o mercado é que vai controlar os preços.

Você não está perdendo dinheiro, pagando às editoras 50% do preço de capa de um livros que em média custa 25 dólares e vendê-lo por apenas 10?

Tomar um prejuízo de livros best sellers é diferente de ter prejuízos em todas as suas vendas.Podemos perder dinheiro em alguns best sellers, mas considerando o total de nosso catálogo, mantemos nosso negócio de venda de livros lucrativo e sustentável.

Será que os editores agora veem a Amazon como um rival e não mais um cliente, depois que vocês decidiram incentivar a publicação de livros através do seu site?

Pensamos que as vantagens da venda de livros digitais não deveria trazer benefícios apenas para as editoras, mas também para os autores. Isso significa que os intermediários entre os autores e os leitores precisam ser mais eficientes e repassar essa economia ao consumidor. A taxa de 70% [royalties] que nós oferecemos é uma maneira de compartilhar os ganhos de eficiência com todos.

As editoras prestam um valioso serviço aos autores, mas o modelo precisa evoluir. Alguns autores preferem fazer por sua própria conta tudo o que antes só os editores disponibilizavam. Haverá uma grande variedade de modelos de publicação num futuro próximo, desde o “faça você mesmo” até o “nós fazemos tudo para você”.

Fonte: Los Angeles Times. Tradução e edição: Jarbas Aragão.

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