Roberto Kaz

Um ano atrás, Rodrigo Teixeira sentou-se à mesa com o editor Luiz Schwarcz e o jornalista Lira Neto para tratar de um assunto que interessava aos três: a viabilização de uma biografia sobre Getúlio Vargas (1882-1954).

Teixeira conhecera Neto alguns meses antes, quando comprara os direitos de seu último livro, “Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão” (Companhia das Letras; R$ 49,50; 544 págs.) para transformá-lo em um filme de Sérgio Machado –diretor de “Cidade Baixa” (2005) e “Quincas Berro d’Água” (2010).

Dessa vez, no entanto, Teixeira solveu investir na fonte, bancando o livro a partir da ideia.

Por telefone, Lira Neto disse à Folha que o trabalho deve levar ao menos cinco anos.

“Penso em publicar três volumes. A editora sozinha talvez não bancasse um projeto dessa dimensão; sem o Rodrigo, não haveria pesquisa”, admitiu.

Neto conta que, à diferença do que ocorreu com seus livros anteriores –ele também é autor de “Maysa – Só Numa Multidão de Amores” (ed. Globo; R$ 32; 432 págs.)–, dessa vez tem se dedicado com exclusividade à pesquisa.

Diz ter fechado o ano de 2010 “com 50 mil páginas de jornais de época, correspondências e documentos jurídicos lidos e catalogados”.

O primeiro volume, acredita, deve ficar pronto em um ano e meio. “Por ora, tenho me concentrado na gênese do personagem, no Getúlio antes de ser presidente”, diz.

O ex-presidente Getúlio Vargas, tema da biografia feita por Lira Neto, em visita a Santos (SP) em julho de 1952 / Laércio/Folhapress

Após repetidas visitas a São Borja (município onde Getúlio nasceu, no Rio Grande do Sul) e Ouro Preto (onde estudou em Minas Gerais), descobriu que Getúlio era falsamente acusado de dois assassinatos.

“Pela primeira vez alguém teve acesso aos inquéritos de dois assassinatos atribuídos pelo Carlos Lacerda a ele. Pelo menos nesses casos, o Getúlio estava limpo”, revelou.

Uma das acusações dizia respeito à morte de um cacique, em 1920, por um homem chamado Getúlio Dorneles Vargas.

“O processo se referia a esse Getúlio como nascido em ano e município que não condiziam com os do ex-presidente. Pensei: ou está errado ou é outro”, disse Neto.

Após pesquisar as certidões de nascimento, descobriu que de fato havia, no Rio Grande do Sul, um segundo Getúlio Dorneles Vargas, homônimo ao presidente.

“Era um erro histórico que estava sendo perpetuado”, concluiu Neto.

Fonte: Folha Online

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments