Muitos autores, principalmente os mais novos no mercado editorial tem uma visão muito romanceada da atividade literária em nosso país. Trabalhando na Editora Thesaurus, muitas vezes vi novos escritores sonhando com a fama e com o glamour da profissão. Ser escritor, poeta, como em qualquer outra profissão exige dedicação e empenho e versatilidade. Escrever o livro não é o mais difícil hoje em dia, nem tão pouco publicá-lo. Na verdade o grande desafio de um escritor é vender o livro; furar os bloqueios impostos pela falta de espaço nas grandes redes de livrarias do país, e também conseguir vencer o silêncio imposto pela mídia, isso porque cada vez é menor o espaço voltado para a crítica literária nos periódicos, e prova é tanta, que os cadernos literários dos jornais brasileiros estão cada vez ficando menor ou mesmo deixando de ser publicado.

A divulgação é fundamental para a comercialização dos livros. Sabendo dos instrumentos da internet, como os de rede social, bate-papo, etc, o autor consegue minimizar o silêncio imposto pela mídia, mas também ainda não é tudo. Na verdade a comercialização dos livros requer um trabalho direto, muitas vezes chegando ao corpo-a-corpo, ou mesmo ao porta a porta. Muito embora os meus livros, para se ter um exemplo, mesmo estando à venda nas principais livrarias do país, graças a uma parceria Thesaurus Editora de Brasília com o distribuidor ZamboniBooks de São Paulo, ainda é pouca a venda nos locais destinados a comercialização de livros. O livro “O Cinza da Solidão“, que está indo agora para a 2ª edição de mais 1000 livros, levou praticamente 2 anos para esgotar. Claro que a medida que vai saindo, mais pessoas vão conhecendo e o boca a boca facilita mais as vendas posteriores, mas o que quero deixar bem claro é que se não houver um trabalho direto sistemático e perseverante o livro nos dias atuais, está fadado ao encalhe.

Graças ao trabalho que venho desenvolvendo tanto na noite de Brasília, aonde vou passando pelos cafés e bares culturais, como na tenda cultural, onde exponho os livros em eventuais shows e apresentações culturais que acontecem na nossa cidade, e graças, principalmente a esse trabalho, o livro venceu a barreira dos 1000 exemplares vendidos. Fico muito feliz com esse meu trabalho por saber que de uma maneira objetiva estou incentivando a leitura e divulgando o meu trabalho, assim foi desde o início, quando ainda estava em São Luís e escrevia para o Jornal Pequeno, que depois de publicado no jornal eu vendia exemplares das novelas que saíam em formato de folhetim nos jornais. Ali comecei a ultrapassar a casa dos mil exemplares vendidos, e não só uma vez, com os livros: O Funcionário, O Amor de Mariano, A procissão dos Ossos, O segredo de um mistérios….

Muito se avançou nos últimos tempos em termos de leitura em nosso país. Hoje temos o PNLL (Plano Nacional de Leitura e Livros), a leitura virou até política de governo, isto porque cada vez mais fica claro que o Brasil só pode sonhar com o desenvolvimento quando realmente investir em educação, não essa que está aí, mas sim, uma educação de qualidade, para a vida e para a cidadania. Vamos ver como será o enfoque desse novo governo. O certo é que se eu estivesse até hoje vendendo os livros de maneira direta, além da forma tradicional (em livrarias), o livro estaria no encalhe. Lembrando aos novos poetas e escritores que não basta escrever, publicar é preciso vender o livro e aí reside a verdadeira arte, a arte de persuadir e mostrar que a literatura pode ser bem mais que uma cifra, e sim um encantamento que tem como olho do furacão os dramas e as alegrias do ser humano.

A literatura no Brasil talvez seja uma das artes que tem o reconhecimento mais tardio de todas, e isso se justifica primeiro pela cultura que até bem pouco tempo atrás ainda ridicularizava os leitores, e depois porque para vencer nessa estrada é preciso perseverar muito, rompendo com todos os paradigmas da profissão. É preciso ser guerreiro para viver de Literatura no Brasil!

Fonte: Nós Revista

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