A polêmica em torno do livro da chinesa-americana Amy Chua, autora de Battle Hymn of The Tiger Mother [Hino de guerra de uma mãe tigresa], ganhou drama quando ela revelou ao New York Times que foi ameaçada de morte.

Chua e família

O livro que Chua lançou há duas semanas nos Estados Unidos, resenhado aqui, conta a história de como ela e o marido, americano e judeu, decidiram criar as filhas de acordo com os rígidos padrões orientais de disciplina. Jed Rubenfeld concordou desde que as crianças fossem também criadas como judias. E assim as duas filhas do casal, Sofia e Lulu, hoje no final da adolescência, cresceram.

O que deixou os americanos chocados e enfurecidos foi a comparação que Chua, que é filha de chineses, mas nasceu nos Estados Unidos, faz entre a forma ocidental de criar um filho e a forma oriental, que, segundo ela, é mais rígida, mas apresenta resultados muito superiores.

Durante seu ensaio, Chua faz inúmeras comparações entre as duas, sempre criticando, muitas vezes de forma dura, a americana e elogiando a chinesa.

Um artigo no Wall Street Journal, que reproduzia quase um capítulo inteiro do livro, serviu para colocar ainda mais pimenta no Teriyaki de Chua. Muito mais pelo título do que pelo conteúdo: “Por que mães chinesas são superiores”, lia-se. Até agora, mais de 6 mil comentários, alguns altamente ofensivos, já foram postados.

Chua disse em entrevista à rede pública PBS que não tinha ideia que o título do artigo seria esse, e que, se consultada, jamais teria concordado porque ela não acha que mães chinesas sejam superiores.

A autora, que é também professora do curso de Direito em Yale, está nas cordas, mas diz que sustenta o que escreveu.

Depois de ler o livro, que é curto e pode ser lido em algumas horas, fiquei com a impressão de que se tratava mais de uma auto-crítica, escrito para ser sarcástico e engraçado aqui e ali, do que de um manual de educação infantil – como tem sido encarado. Basta que se leia até o final para entender a auto-crítica.

As palavras de Chua estão sendo levadas ao extremo da seriedade, quando talvez não devesse ser assim. O livro é de fato divertido, mas, dependendo do humor com que é abordado, pode apenas se chocante e cruel.

Como vivemos tempos nos quais o bom-humor anda em falta, e a seriedade tende a se manifestar de forma desnecessariamente agressiva, o livro – é bastante provável – foi mal interpretado por um mercado pouco receptivo a críticas que venham de fora, ainda que elas estejam revestidas de humor inteligente.

Fonte: iG

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