No mercado de publicações infanto-juvenis de 2010 na China, um romance brasileiro chamou a atenção dos leitores. A CCTV, Televisão Central da China, apresentou a obra em seu programa Leitura Diária e o Mês de Leitura de Shenzhen e o 4º Fórum chinês da leitura infanto-juvenil do século XXI colocaram esse romance brasileiro na lista de livros recomendados. A história foi classificada ainda como um dos dez livros infanto-juvenis do ano de 2010.

Trata-se do romance Meu Pé de Laranja Lima, de autoria de José Mauro de Vasconcelos.

O jornal Educação da China publicou dia 13 de janeiro, a lista dos 100 livros que mais influenciaram os professores em 2010. O romance brasileiro Meu Pé de Laranja Lima, foi um dos 15 livros da categoria “Ciência Humana”.

Recentemente a versão chinesa do romance brasileiro foi incluída também em outro ranking, o de prioridades recomendadas para as bibliotecas rurais 2010-2011 pela Administração Geral da Imprensa e Publicação da China. 

O redator da versão chinesa da Editora Tiantian, uma editora voltada à literatura infanto-juvenil na China, Wang Yonghong, disse que a leitura é um hábito seu de muitos anos e poucas obras o fizeram chorar. Mas, lendo Meu Pé de Laranja Lima, ficou tão emocionado que não segurou as lágrimas. “O sucesso de uma obra está na criação de personagens impressionantes. O Meu Pé de Laranja criou com sucesso a figura de uma criança, que é inesquecível para os leitores, e apresentou o mundo infantil a partir das perspectivas da criança”, disse Wang.

Na apresentação crítica da versão chinesa do livro, a diretora de cinema de Taiwan, Chen Yingrong, nascida pós os anos 80, escreveu: “Aos 9 anos, conheci Zezé, que me contou uma história de ternura e tristeza; aos 19 anos, reencontrei-me com Zezé, que me contou uma história de ternura e coragem; Agora, aos meus 29 anos, Zezé me contou uma história de ternura e tolerância. Leitores de diferentes idades podem ler diferentes teores da história de Zezé, o menino de 5 anos.”

Na Escola Primária Jiangbi, cidade de Yiwu, província chinesa de Zhejiang, a professora, Yang Shouxian, organizou uma discussão sobre a obra, convidando seus alunos a ler o romance junto com os pais. A professora disse: “Recomendei o livro a meus alunos e a seus pais. O amor e a firmeza do menino Zezé são o que as crianças de nossa época necessitam.” 

Xiao Keyang, um aluno do terceiro ano dessa escola, disse que Zezé, especialmente o episódio em que ele compra uma prenda para o pai, o emocionou muito. Falou a nossa reportagem: “Zezé é um menino bondoso e de coração puro, apesar de muitas pessoas não o verem com bons olhos. Uma vez, ele provocou, sem pensar, a fúria do pai e, para pedir desculpas, foi engraxar sapatos para comprar um presente para o pai. Por isso, acho que ele é um menino muito legal.”

Muitos leitores-pais vêem em Zezé a sombra de seus próprios filhos e ficaram impressionados com a história entre Zezé e Portuga. “Algumas vezes, quando estamos de mau humor, costumamos dizer aos nossos menino: Saia da minha frente! Não me chateie! Lendo este romance, comecei a pensar nos sentimentos das crianças e que elas necessitam da ternura. Com amor e ternura, crescem feliz e saudavelmente.”

Além da ingenuidade de Zezé, o romance mostra uma realidade cruel da vida do menino. Juntamente com a morte de Portuga, o mundo encantado se desmorona. Mas, Zezé, “menino crescido”, continua guardando um mundo de fantasia por seu irmãozinho, com toda a ternura. O comentarista de literatura infanto-juvenil, Wang Quan´gen, considera que todas as crianças têm seus próprios sonhos. Apesar de estarem normalmente muito afastados da realidade, todos os sonhos têm seu valor e representam uma força significativa no crescimento das crianças. Ele disse: “A vida real é utilitarista. Como os pais entendem seus filhos e vice-versa? Esta é uma importante questão na comunicação entre pessoas de diferentes faixas etárias. O romance brasileiro nos deu inspirações proveitosas.”

Zezé, um menino brasileiro, sente a ternura, retribui o amor a outros e transmite esse amor para os leitores chineses, tal como o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao disse: “Sem amor, não haverá educação, nem a moral e nem nada.”

Fonte: China Radio Internacional

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