Rigorosamente a cada dia cresce a minha convicção de que, ao contrário do que parece sugerir nossa intuição, a beleza não é incompatível com a dor. Todas as narrativas ensinam, e todas as narrativas parecem existir para demonstrar, que uma coisa não existe sem a outra. A minha história é consistente testemunha disso, e por certo a de todos.

Concluo que, havendo um céu, será inevitavelmente belo, e não poderá portanto prescindir de alguma parcela de dor. O final feliz não deve abrir mão de todas as alegrias possíveis, especialmente das maiores, em que entranham-se medidas irreconhecíveis, inextrincáveis e imponderáveis de uma coisa e outra. A bem-aventurança não será completa sem o fio da navalha, sem a cicatriz; a beleza não será completa sem a dura lembrança e a aterrorizante possibilidade da dor.

Paulo Brabo (via Laion Monteiro)

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