Barbara Terra do Monte*

Todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, quase como respirar, é nossa função essencial. (Alberto Manguel, Uma história da leitura)

A leitura de histórias elucida o imaginário e o fantástico levando a criança a conhecer o significado da vida, de seu mundo, de suas vivências e de sua existência. A 38ª Feira do Livro proporcionou à criançada esse aprendizado por disponibilizar um espaço bastante diferenciado dos anos anteriores, a Rua das Crianças, o qual propiciou um contato mais abrangente com a Literatura Infantil, não esquecendo os demais espaços, como também, por exemplo, a Brinquedoteca da Furg.

Neste ano, segundo alguns comerciantes dessa categoria, os livros mais procurados entre as crianças foram sobre o Corpo Humano, de sons e os interativos, tendo estes proporcionado um elevado aumento nas vendas. Além do quê, a faixa de idade também foi bastante diferenciada, o que originou um público mais amplo. O incentivo dos pais contribuiu bastante na motivação pelo hábito da leitura.

A partir dessa perspectiva positiva que a 38ª Feira do Livro possibilitou às crianças, fez-se significativa na formação de futuros leitores e no desenvolvimento cognitivo afetivo e social dos pequenos, principalmente porque o Brasil ainda não possui uma característica de país leitor, apesar de ter projetos que incentivam a leitura, tendo como exemplo a resolução n° 44 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Conselho Deliberativo (CD), no ano de 2008.

Perante esse fato, somos responsáveis ao proporcionar às crianças uma consciência da leitura, desenvolvendo o gosto e o imaginário que os livros oferecem para suas experiências diárias, pois é com a leitura que vem um aprendizado de mundo e de identidade através do ler e interpretar, porque o livro não apresenta somente uma história, mas, por seu intermédio, oferece uma riqueza de vivências e experiências plenas de encantamento e curiosidades.

Assim como os hábitos alimentares, que todos aprendemos a ter desde que nascemos, a capacidade linguística é outro fator e habilidade importantíssima ao desenvolvimento de qualquer indivíduo, e é a leitura um dos principais meios ao desenvolvimento linguístico, principalmente nos primeiros anos de vida, como ressalta Diane McGuinness, no livro “Cultivando um leitor desde o berço”. Logo, o hábito da leitura também deve ser adquirido o mais cedo possível, com o estímulo e o incentivo da família e dos educadores.

Portanto, ao instigar a leitura e a relação com os livros, damos oportunidade da criança tornar o conhecimento algo prazeroso e não somente um bem necessário à inserção na sociedade letrada que busca a moralização. O livro deixou de ser um “manual de instrução”, como aponta Regina Zilberman em seu livro “A literatura infantil na escola”.

Assim, formamos leitores, que conseguem compreender através das diversas leituras seu “eu” interior buscando sentido e significado às suas vidas e vivências. O ler faz parte da gente, parte da criança, nos transforma e mexe com nossa mente e nosso inconsciente, nossos sentimentos e nossas emoções através das dimensões da realidade e do imaginário. Ler é essencial e fantástico!

 

 *Pedagoga Licenciada pela Furg

Fonte:  Jornal Agora

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