O computador é hoje a principal ferramenta que introduz as crianças no mundo das letras. Saiba o que muda com isso e como os pais e a escola devem encarar esta transformação

Confira no vídeo abaixo o contato eletrônico com as letras:

O computador está mudando o processo de alfabetização das crianças. O acesso fácil desde cedo – a partir dos três anos de idade, de acordo com educadores – incentiva os pequenos a ingressarem no mundo das letras muitas vezes antes mesmo de ter contato com a escola. “É uma geração que está muito à nossa frente em relação ao uso do computador e isso tende a crescer. Não faz mais sentido alfabetizar sem levar em conta essa vivência de informática”, diz o pós-doutor em educação, autor de livros sobre sociologia da educação e professor da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Demo.

O uso precoce, porém, não deve preocupar os pais. Pelo contrário. Segundo os especialistas, faz parte da tendência inevitável de incorporar tecnologia à vida das crianças desde que nascem. Quando ela começa a ser alfabetizada na escola, por volta dos 5 anos – não está mais crua, ou seja, as letras não são mais novidade para ela. “Claro que essa mudança não é de hoje. Acontecia com outros meios, como televisão, brinquedos e outros objetos que ela tinha acesso em casa. Mas o que muda é que o computador entrou nisso e o contato com o mundo online, principalmente com jogos, desperta a curiosidade pela leitura e escrita”, explica a professora de linguística da Universidade de Cam­­pinas (Unicamp) Raquel Fiad.
Aprendendo com eles
Para Pedro Demo, quando se fala em dominar a tecnologia as crianças muitas vezes estão na frente dos adultos. Segundo ele, uma pesquisa norte americana mostrou que elas passam em média 20 horas por dia conectadas. A conta inclui as horas em que os aparelhos celulares e computadores passam ligados mesmo quando os pequenos dormem ou fazem outras atividades, mas é um bom indicativo da realidade da Geração Y, a geração que já nasce conectada. De outro lado, os adultos – a Geração X – são iniciantes nesse processo, pois tiveram de incorporar o computador à sua vida e não o contrário. Essa diferença se reflete em sala de aula: muitas vezes quem precisa aprender é o professor. A ele, cabe a sensibilidade de perceber que o processo de letramento precisa atender um novo perfil de aluno, aquele que começa a ler pelo GPS do carro do pai, pelo celular e computador e não pelos livros apresentados em sala.
Há 20 anos trabalhando com alfabetização no Colégio Saint Michel, a professora Cynthia Wosche conta que há dez percebeu essa mudança em sala, mas que mesmo assim ainda se assusta com o que os alunos trazem. “Tento me atualizar não apenas com cursos, mas com a realidade. De tempos em tempos investigo com meus amigos o que os filhos pequenos deles fazem, gostam de ver, mexer. É uma forma de aprender, para surpreender antes de ser surpreendida.”
Para alguns, o primeiro contato é na escola
Enquanto nas escolas particulares a maioria das crianças tem acesso ao computador em casa, nas instituições públicas a situação é diferente. “Não temos o número exato, mas no dia a dia percebo que muitas usam o computador pela primeira vez aqui na escola”, conta Regina Moro Milléo de Medonça, diretora do Departamento de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba.
Desde os 4 anos de idade os alunos dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) podem usar o computador durante as aulas, mas sempre orientados pelos professores. Os primeiros contatos são com atividades complementares, principalmente jogos e imagens que os professores pedem para que eles identifiquem e associem com o que acabaram de aprender. Em cada sala de aula existe o que eles chamam de “Canto.com”, implantado em 2008, que é um espaço onde fica o computador. Para os alunos em fase de alfabetização, os jogos mais usados são os didáticos, que brincam com letras e palavras.
Mas quem pensa que por não terem computador em casa as crianças se atrapalham está enganado. Regina diz que fica assustada com a agilidade e que os pequeninos aprendem muito rápido. “Eles nascem vendo computadores por toda parte, na televisão, na secretaria da escola. Não tínhamos mais como ignorar isso.”

Fonte: RPC

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