Publicado originalmente por Teresa Gens no Jornal de Negócios

O que tem a Economia a ver com a escrita e a ilustração de livros infantis? Aparentemente nada. Talvez por isso Pedro Seromenho tenha dito adeus à ciência social para abrir uma editora e dedicar-se a tempo inteiro ao que antes era só um passatempo.

Dizia um monge budista que quando as pessoas vivem infelizes 11 meses do ano para viverem felizes apenas um é porque estão a falhar na escolha das prioridades para a sua vida. Dentro deste espírito, Pedro Seromenho, economista, decidiu-se por “encher” o seu dia-a-dia com o que antes era um “hobby”: a escrita e a ilustração de livros juvenis e infantis.

Não é comum que um economista com anos de experiência largue “tudo” por um sonho, mas aconteceu e, hoje, Pedro Seromenho – mesmo reconhecendo que as grandes viragens na vida acarretam tormentas – vê que a escolha foi certeira. Agora, “não temos apenas um mês de contentamento, mas o ano inteiro. A minha prioridade, e falo pela equipa, é essa porque nos leva a acordarmos cedo e a irmos para o emprego com um sorriso no rosto”. E é fácil perceber porquê: “adoramos livros infantis.”

Na génese da sua editora, a Paleta de Letras, estão três ambições: a de ser uma editora jovem a contrariar a crise, a de ser uma editora no Minho a contrariar a tendência e, finalmente, a ser uma pequena editora com grandes livros. Tendo o álbum infantil ilustrado como “core business”, a jovem equipa da Paleta de Letras sabe que a sua postura no mercado não passa por competir com os gigantes mas buscar boas ideias. A empresa está “sempre atenta aos novos valores nacionais e internacionais” para satisfazer o seu “target”: jovens de diferentes anos de escolaridade, inclusive pré-escolar.

Ser como a mercearia do lado
Cada livro, diz Pedro Seromenho, é pensado “em termos da qualidade final e da mensagem”. Para o ajudar nesta tarefa conta com uma equipa de consultores, pediatras, pedagogos e professores que ajudam a editora a “antever as necessidades e os conteúdos pedagógicos”. A Paleta está perto de quem lê e essa é, dizem, a vantagem que têm no mercado português, dominado a 80% “por três grandes grupos que controlam os circuitos e os media”.

São “gigantes” que lidam com “impessoalidade” com o leitor e que, muitas vezes, “sacrificam a qualidade em prol da quantidade”. “É como a história do hipermercado e da mercearia do lado”, compara Pedro Seromenho. E esta “mercearia” bracarense vem tendo clientela, tanta que o tempo tem-se apresentado como “um recurso escasso.”

O desígnio de ser uma pequena editora a enfrentar a crise vem sendo cumprido, na perspectiva do seu fundador. “Talvez se deva ao facto de o mercado editorial da literatura infanto-juvenil ser menos sensível às variações do poder de compra”, adianta Pedro Seromenho, explicando que “os pais até podem temporariamente deixar de ler – o que subentende uma racionalidade económica aplicada ao orçamento familiar -, mas os seus filhos não.”

Embora não acredite que o livro tradicional vá terminar, a equipa da Paleta de Letras sabe que “o caminho aponta para o livro digital ou o i-book”. É, por isso, que também aí pretendem marcar presença e diversificar a oferta. “Vamos incorporar na oferta tecnologia para que seja única e, consequentemente, altamente competitiva”.

Com este objectivo, estão já a explorar alguns conceitos inovadores como o 3D, a realidade aumentada e o livro interactivo. Dos planos da Paleta faz também parte a procura de parceiros estratégicos, tais como Câmaras Municipais, e é com uma destas entidades que a empresa já está a trabalhar num livro infantil que servirá de tema a um Storybookpark que está a ser construído no norte do país. “Dentro do género, será um projecto marcante e único”, diz Pedro Seromenho.

Nome Paleta de Letras
Início de Actividade 30-03-2010
Actividade Editora de Livros Infantis
Localização Braga
Postos de Trabalho 3
Contatos www.paletadeletras.pt

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