Originalmente publicado no Último Segundo IG
André Garcia celebra o bom momento do mercado: “Nunca vendemos tantos livros quanto agora”

Se o mercado nacional de livrarias cresceu em 2010, a procura por obras usadas na internet atingiu um número recorde neste mês de fevereiro. Quem afirma é André Garcia, criador do Estante Virtual, site que reúne mais de 1800 sebos espalhados por todo o país.

Em entrevista ao iG, o empresário comemorou o crescimento do mercado, revelando um volume de vendas de aproximados oito mil livros por dia. “Nunca vendemos tantos livros quanto agora. As vendas estão batendo recordes em fevereiro – um livro a cada seis segundos.”

Quando indagado sobre a “ameaça” do livro digital, André afasta a possibilidade do novo formato prejudicar seu negócio. Para ele, o destino do e-book é abastecer um mercado de nicho, e não substituir o livro físico – “ainda mais no Brasil, por uma questão de custos”.

“Eu vejo isso com muita ressalva. Atualmente você compra um Kindle por uns R$ 400 no Brasil. Agora pense na maior parte da população: quem vai pagar esse dinheiro para comprar um leitor de livros? Se já é difícil comprar um livro de R$ 40, imagine algo assim”, questiona.

Outro ponto citado por André é a diferença de características do livro de papel e digital. Além dos fatores técnicos, como a necessidade de bateria e durabilidade – “se cair no chão, o livro digital pode quebrar” -, André defende o lado emocional que envolve a obra física.

“Hoje somos mediados pela tela em tudo. O livro é o momento de interagir com um objeto materializado, não é algo tão etéreo quanto uma obra na memória do seu Kindle. Eu nasci em 1978 e enxergo dessa forma. Pode ser que os nascidos em 2078 pensem diferente, mas é difícil prever agora. Só não vejo essa substituição nos próximos 50 anos – muito menos aqui no Brasil.”

O grande trunfo dos sebos, nas palavras do empresário, é oferecer não apenas obras raras ou esgotadas, mas também best-sellers recém-lançados por valores menores do que os das livrarias. Por isso, o custo cobrado por um livro digital é relevante é de extrema relevância para ocasionar uma mudança de hábito no leitor.

“O preço de sebo costuma ser metade do preço encontrado da livraria convencional. Quando pegamos o livro digital, temos que ver quanto ele vai custar. E aparentemente as editoras não querem vender a versão virtual muito mais barata do que a física – não seria um bom negócio para elas”, conclui.

Segundo o empresário, o número de sebos cadastrados no Estante Virtual pulo de 700, em 2005, para quase 1850 atualmente – metade desses, apenas virtuais.

“São sebos administrados por livreiros que estocam suas obras em casa, salas comerciais e até galpões. Muitos eram donos de lojas físicas que agora só vendem pela internet. E isso só acontece por causa do valor cobrado: quanto mais as pessoas têm acesso a um preço menor do que o das livrarias, mais elas compram.”

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