O investigador Timothy W. Ryback, autor do livro “A Biblioteca Privada de Hitler”, afirmou que “a leitura constituiu uma parte absolutamente central” na vida do ditador alemão. O autor estudou 1200 livros da biblioteca pessoal de Hitler, actualmente em depósito na Biblioteca do Congresso norte-americano.

Estes volumes integravam um total de 16 mil que o líder nacional-socialista possuía, distribuídos por três bibliotecas (Berlim, Munique e Berchtesgaden).

Todavia, ressalvou Rybacj, os livros que as tropas norte-americanas trouxeram após a derrota alemã na II Grande Guerra, “são aqueles que eram os mais pessoais de Hitler”.

“Aqueles que ele leu e apontou comentários nas margens”, disse.

“Hitler aproveitava o que melhor entendia dos livros que lia. Ele próprio afirmou que retirava dos livros aquilo que necessitava e há nos seus discursos eco do que lia”, disse o autor norte-americano.

“Curiosamente, nunca ninguém pensou nesta perspetiva relativamente a Hitler, e durante mais de meio século aqueles livros estiveram na Biblioteca do Congresso (EUA) sem que ninguém se interessasse por eles”.

O autor qualifica Adolfo Hitler como “a personalidade mais enigmática do século XX” mas considera que o estudo desta biblioteca pessoal “pode dar pistas sobre o mundo interior de Hitler”.

“Hitler tinha uma mente impenetrável, todavia eu penso que o estudo da sua biblioteca particular pode ser um meio para alcançarmos de certa forma a sua mente insondável”.

O estudo da biblioteca “dará pelo menos para outros cinco livros”, acrescentou.

Banda desenhada e Shakespeare

Segundo Ryback, Hitler lia um livro por noite e a sua biblioteca “revela uma personalidade com pouca formação intelectual e até superficial”.

Na mesa de cabeceira manteve sempre um exemplar de banda desenhada de Wilhelm Busch que relatava as tropelias de Max e Moritz.

Nacionalista radical e defensor de uma renascença germânica, Hitler apreciava autores estrangeiros e considerada William Shakespeare o maior de todos, mesmo superior a Goethe e Schiller.

No seu refúgio alpino de Berchtesgaden mantinha os volumes do autor inglês ao lado dos livros de aventuras Karl May, um dos seus autores favoritos.

Ryback referiu-se à biblioteca hitleriana como “uma selva” por ser desordenada e encontrar-se na mesma prateleira a edição fac-similada da correspondência de Frederico, o Grande ao lado de uma coleção de cartoons ou de um livro de culinária vegetariana com a dedicatória “Monsieur Hitler végétarien”.

“Ele lia para se educar a si próprio e sua larga coleção é a de um homem pouco educado, sem formação e sem juízo crítico”, afirmou Ryback que acrescentou: “Hitler deixou de ter qualquer educação formal aos 15 anos”.

Clássico da filosofia, da ficção e muito mais

Todavia o líder nazi era familiarizado e apreciava clássicos da literatura como “Robison Crusoé”, “A Cabana do Pai Tomás”, “Dom Quixote”, ou “As Viagens de Gulliver” que, segundo Ryback, o ditador alemão afirmou que “cada uma destas obras era por si só uma ideia grandiosa”.

Na biblioteca de Hitler encontra-se de tudo desde as obras dos grandes filósofos “sobre as quais tinha um entendimento superficial” até livros de geografia, guerra, e ocultismo.

Além dos norte-americanos também franceses e soviéticos levaram livros da biblioteca de Hitler que se suicidou em 1945 no bunker da chancelaria, em Berlim.

Para o Timothy Ryback, codiretor do Institute for Historial Justice and Reconcilliation (na Haia) “é espantoso que o homem que queimava livros, se interessasse tanto por livros e os lesse”, mas “mais espantoso é que em mais de meio século ninguém tivesse tido essa curiosidade”.

Fonte: Destak.pt
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