Texto de Thales de Menezes, publicado originalmente na Folha de S. Paulo

Impactantes livros de arte estão literalmente escondidos nas grandes livrarias. Alguns dos lançamentos destinados ao público infantil podem ser apreciados também pelos adultos. Em alguns casos, até mais pelos adultos.

São obras que esbanjam técnica e criatividade nas ilustrações. Às vezes, carregam características gráficas ligadas à etnia de cada texto, exemplificadas em fábulas orientais, notadamente chinesas e indianas. São culturas que universalizam imagens para adultos e crianças.

Para encontrar esses objetos valiosos, chegar até a seção de infantis da loja não basta. Ali, o que salta fora das prateleiras e ganha visibilidade é um monte de vampirinhos, sereiazinhas e heróis tipo Capitão Cueca. Garimpar livros encantadores para adultos entre tanta produção é trabalho para uma tarde de sábado ou domingo, com tempo para investir nessa caçada.

Há histórias tradicionais com versões inovadoras, como “O Leão e o Camundongo”, fábula que dispensa texto com as imagens vivas e rebuscadas do americano Jerry Pinkney, 72, que já ganhou todos os prêmios possíveis para um ilustrador.

Verdadeiro deus entre os fãs de quadrinhos por ter criado “Sandman”, Neil Gaiman e seu parceiro desenhista Dave McKean inventaram um livro delirante em que os personagens têm longas cabeleiras e a ação se passa num emaranhado delas.

Outros modernos da seleção é Suzy Lee, que brinca com as sombras das coisas para mostrar outro lado das histórias, e o húngaro Istvan Banyai, criador de vinhetas animadas para a MTV Europa e o canal a cabo Nickelodeon. Seu traço genial, que ganhou o público adulto nas revistas “The New Yorker” e “Rolling Stone”, nem deveria ser oferecido a crianças pequenas. Assim, a seção infantil da livraria vira programa até para quem não tem filhos.

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