Texto publicado originalmente no site InfoMoney

O perfil do consumidor de livros e frequentador das livrarias brasileiras está mudando. A afirmação é do presidente da ANL (Associação Nacional de Livrarias), Vitor Tavares. Para ele, a crescente inserção da internet na vida da população, bem como a política de distribuição de livros didáticos, a crescente perspectiva de venda de tablets (que permitem a leitura dos e-books) e outros aspectos contribuem para mudança do público-alvo das livrarias.

Mesmo assim, o setor de livrarias está vendendo mais. O crescimento médio em 2010 foi de 9,6%. As protagonistas deste crescimento, principalmente, são as livrarias de grandes redes, cada vez mais procuradas pelo consumidor. Mais de 38% dos estabelecimentos entrevistados por um levantamento da ANL faturam acima de R$ 9,6 milhões por ano.

A explicação para isso, segundo o presidente da entidade, é que essas livrarias se transformaram, deixando de ser meramente ambientes de comércio de livros, estimulando a busca pelos consumidores, que estão cada vez mais exigentes e menos fiéis. “O livreiro de antigamente não cabe mais no mercado atual. O consumidor quer um ambiente criativo, inovador, com proposta de um mundo cultural por trás da venda de livros. Uma livraria que promova encontro da comunidade, que agregue serviços como café, teatro, espaços literários e wi-fi, por exemplo”, cita.

Segundo o levantamento da Associação de Livrarias, 83,87% das livrarias tem na venda de livros apenas 50% de seu faturamento. Prova de que a diversificação de serviços e oferta de espaços diferenciados atrai mais clientes, que passam a encontrar nesses estabelecimentos espaços com múltiplas opções.

Hábito
Outra mudança percebida no comportamento dos consumidores é a diminuição da compra de livros na tradicional “volta às aulas”. “Atualmente, com a oferta de material didático a alunos da rede pública, e a adoção de novos sistemas de ensino pelas redes privadas, a corrida de início de ano para compra de livros diminuiu”, diz Vitor Tavares. Mesmo com algum prejuízo às livrarias, o presidente da ANL reconhece que a iniciativa contribui para a educação e o estímulo à leitura no País.

Já no perfil de clientes das livrarias com Ensino Superior, o que se percebe é a diminuição da busca pelos livros acadêmicos. “Muitas livrarias estão vendendo menos, sobretudo pela facilidade de pesquisa que a internet proporciona, com download de textos pelos alunos. Muitos estabelecimentos até deixaram de comercializar esses itens, só o fazem sob encomendas”, informa Tavares.

Mesmo com essas transformações, Tavares analisa que há uma grande lacuna nesse mercado, o que garante grandes possibilidades de expansão do segmento. “Se você verificar os índices de leitura, temos uma média de 4,7 livros por habitante, mas isso inclui livros didáticos, acesso a bibliotecas e outros meios. Em se tratando de consumo efetivo, a compra é de 1,5 livro por habitante, o que é muito pouco”, diz.

Para Tavares, o baixo índice de compra de livros está associado à cultura média histórica do brasileiro, que não costuma priorizar este tipo de item nas suas intenções de compra. “É preciso incutir na população esse hábito de consumir bons produtos culturais, criar uma política de incentivo ao livro. Não podemos equipará-los a outros produtos comuns. O incentivo deve começar na escola, principalmente fazendo as crianças criarem prazer pela leitura desde cedo”, analisa.

Escolhas
Entre os compradores, a área de infanto-juvenil foi a que mais teve representatividade nas livrarias. A de autoajuda e esotéricos veio em seguida. Depois, estão acadêmicos, literatura geral ficção e literatura geral não ficção.

Já entre as áreas da literatura que mais cresceram em vendas nas livrarias, o segmento de infanto-juvenil também é líder, mas a que vem na segunda colocação é a literatura geral de ficção, acompanhada de literatura geral não ficção. Os livros acadêmicos específicos para área de ciências humanas e os de autoajuda/esotéricos completam a lista.

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