Texto de Daniela Jacinto publicado originalmente no jornal Cruzeiro do Sul

Laurentino Gomes, um escritor apaixonado pelo modo de vida do interior e pelo jornalismo, carrega consigo uma contradição: a angústia de escrever; ele, que atualmente mora em Itu, lança amanhã (19) em Sorocaba o livro “1822”

Laurentino Gomes fala da angústia de escrever - por: Luiz Setti.

Para ele, no interior é assim: não se trata de negócios, mesmo com o jardineiro, sem um bom dedo de prosa, sem perguntar da família antes de efetuar o pagamento pelo serviço. O lado humano, que na sua opinião a cidade grande perdeu, é que encanta o jornalista e escritor Laurentino Gomes, que decidiu fugir da correria e do estresse de São Paulo para tentar uma vida mais pacata. Há dois anos, ele, a esposa e a cachorra Lua mudaram-se para Itu, onde vivem em um condomínio de classe alta. Moram muito bem, diga-se de passagem, e o que espanta é que o patrimônio adquirido vem de duas profissões das mais difíceis de se ganhar dinheiro no Brasil: o jornalismo e a literatura.

Como jornalista, Laurentino atuou durante 30 anos em veículos de comunicação como o jornal O Estado de S. Paulo, e revista Veja, da editora Abril, empresa onde chegou a ser diretor. Já como escritor, logo em seu primeiro livro, o “1808”, sobre a fuga da família real portuguesa para o Brasil, Laurentino bateu o recorde de leitores. A obra permaneceu três anos consecutivos na lista dos livros mais vendidos de Portugal e do Brasil. Todo esse sucesso na carreira, ele atribui ao senso de oportunidade. Atualmente, Laurentino tem trabalhado na divulgação do segundo livro, “1822”, sobre a independência do país, que lança em Sorocaba amanhã, na livraria Nobel do Shopping Villàggio. O bate-papo com o público começa às 19h, seguido de sessão de autógrafos. Hoje, fará palestra sobre o livro no Sincomércio de Itu, às 19h30. Em ambas as atividades, a entrada é gratuita e aberta a todos os interessados.

Mesmo em fase de divulgação da segunda obra, Laurentino Gomes já iniciou pesquisa para o próximo livro: “1889”. Nenhuma outra coincidência poderia ter sido mais agradável para um escritor que pretende escrever sobre a história da República do que morar justamente em Itu, conhecida como o berço da República. Na época que se mudou, ele nem imaginava que após o lançamento de “1808”, sentiria a necessidade de completar uma trilogia. “Ao tomar a decisão, por uma busca de qualidade de vida, de repente eu me acho na toca do leão. Se um pesquisador brasileiro hoje tivesse de escolher uma cidade para estudar esse tema, seria Itu, então é uma felicidade muito grande”, diz.

A pesquisa, que inicia por Itu, no museu e biblioteca republicanos, vai além. Para fora do Brasil, aliás, onde é mais fácil ter acesso a documentos sobre a história do país, denuncia Laurentino. “A forma com que o Brasil guarda seus documentos ainda é precária, tem muita coisa que não foi catalogada e outro tanto em decomposição”, revela. Isso com relação aos documentos que ficaram, considerado pouco diante do que tem sobre o Brasil em outros países. Em entrevista ao Mais Cruzeiro, o escritor detalhou seu processo de trabalho, que não fica só nos livros e documentos. Ele também visita os locais onde se passaram os importantes fatos históricos que relata.

Durante a conversa, na residência de Laurentino Gomes, a reportagem conheceu o lado humano do escritor que gosta de enfatizar esse mesmo lado humano de importantes personagens da história. Antes do contato pessoal, permanecia uma distante imagem do famoso autor de best sellers sobre o Brasil. De perto, revela-se o homem perfeccionista, que se incomoda com erros que lhe escaparam aos olhos. “Fico pensando nisso o tempo todo. Eu escrevi um livro de 400 páginas, mas só lembro dos erros que cometi. Lembro disso na hora de dormir, quando vou dar palestra… Fico pensando, puxa vida por que é que errei, mas acho bom ser autocrítico para não ser leniente demais com você mesmo”, ameniza.

Ao longo do bate-papo, contou com orgulho que desde o ano passado é membro honorário da Academia Sorocabana de Letras; falou apaixonadamente sobre a profissão de jornalista, que para ele é a melhor do mundo; e por incrível que pareça, sobre a angústia de escrever. “Eu adio o máximo que eu posso, tomo muitos cafés, vou andar com o cachorro, rego o jardim, aí, só na última hora, quando vejo que minha reputação está em jogo, que eu vou lá e escrevo”, revelou. De brinde, deu ainda a deixa do tema do próximo livro, sobre a Guerra do Paraguai (em 2014 completam-se 150 anos, outra boa oportunidade). Confira a entrevista:

P – De repente, um escritor de livros sobre a história do Brasil foi morar justamente em Itu, o berço da República. Como isso aconteceu? O que te levou até Itu?Essa foi uma feliz coincidência. Morei em São Paulo durante 21 anos e sempre saía nos feriados para passear com a família na região, e numa dessas ocasiões eu e um grupo de amigos alugamos uma casa neste condomínio onde moro hoje e foi paixão à primeira vista. Gostei muito daqui e da região também. Além disso, fica perto de tudo. Estou a uma hora de São Paulo, meia hora do aeroporto de Viracopos, em Campinas, e entre duas das melhores cidades brasileiras na área de serviços: se eu andar 20 quilômetros à direita eu chego em Sorocaba, e 50 quilômetros à esquerda vou para Campinas, então é um privilégio muito grande. De repente, o que era lazer virou sonho de vida, que eu consegui realizar depois que lancei o livro “1808”. Foi um sucesso muito além do que eu imaginava e me levou a tomar uma decisão drástica, que foi interromper uma carreira de 30 anos como repórter e editor de revistas e jornais para me dedicar aos livros.

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P – Deixar para trás 30 anos de jornalismo não deve ter sido uma decisão fácil…Isso é uma coisa curiosa, as pessoas às vezes falam que eu mudei de profissão, mas eu não mudei de profissão, eu continuo sendo jornalista e repórter, só que num formato diferente, antes eu fazia reportagem para jornal e revista, e agora eu faço livro-reportagem. Então da profissão não sinto falta, o que sinto saudade é das redações, do convívio com os colegas, era tudo muito divertido. Sinto um pouco de falta, um pouco apenas, mas quando começo a sentir muito, logo passa porque a redação tem essa coisa maravilhosa que é o convívio com os colegas de trabalho, pessoas de áreas diferentes, como política, esportes, moda, comportamento, mas tem uma tensão no ar que são os prazos de fechamento muito apertados, o que às vezes leva o jornalista a fazer um trabalho mais superficial do que ele gostaria, ele é obrigado a testemunhar a história e a registrar numa velocidade que às vezes se opõe à profundidade. Ao mesmo tempo sei que isso faz a maravilha do jornalismo também, a rapidez com que a gente reage aos acontecimentos e leva informação, cultura, entretenimento às pessoas em condições muito adversas.

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P – O leitor não tem ideia, realmente. Tem gente que desconhece a questão dos prazos apertados, de ter de lidar com um espaço que pode não ser o suficiente para a reportagem, entre outros obstáculos do dia a dia. Qual é sua visão sobre a profissão do jornalista? Afinal, ele é um herói ou mártir?Para mim, e não é demagogia porque eu sou jornalista, é a melhor profissão do mundo porque você tem a prerrogativa de entrar em qualquer assunto sem ser chamado, desde que tenha um interesse público, interesse do leitor envolvido. E isso nos dá uma visão de mundo muito abrangente, o que também nos faz trabalhar com menos rotina que em outras profissões, então um dia você está entrevistando um médico, depois um jogador de futebol, um escritor, um catador de lixo e isso é muito interessante do ponto de vista da pessoa que exerce o jornalismo. Eu acho que tudo o que sou hoje ou quase tudo eu aprendi com o jornalismo.

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P – Seu lado jornalista o ajudou a ser um escritor multimídia, aberto às novas tecnologias?Eu acho que o futuro oferece mais oportunidade do que ameaça, eu não tenho medo de pirataria, das mudanças tecnológicas, enfim, é preciso ter uma cabeça multimídia daqui pra frente porque o mundo mudou. E apesar da globalização, da aparente pasteurização, os seres humanos estão se organizando em comunidades muito específicas, que consomem informação, cultura e entretenimento de formas diferentes no tempo, no espaço e no formato. O escritor tem de perder a ilusão de que é possível atingir todas essas comunidades num único formato, como era feito no século passado. Fiz o primeiro livro, “1808”, com uma linguagem jornalística muito acessível e linguagem de capa atraente para capturar a atenção de um leitor que provavelmente não leria meu livro se eu usasse uma linguagem neutra. Mas aí pais e professores vieram me dizer que seu filho, seu aluno, não lê um livro de 400 páginas. Então fiz uma obra ilustrada, juvenil, uma versão mais lúdica e menor para estudantes, adolescentes ou crianças. Depois lancei audiolivro, livro digital e DVD, que mostra os locais onde as coisas aconteceram e eu narrando. Também me mantenho em contato com os leitores pelo meu site, orkut, twitter, facebook… Recebo as mensagens e eu mesmo respondo, até porque o leitor tem muita contribuição a dar e, claro, críticas também. Do mesmo modo que as pessoas sugerem temas, ajudam com fontes de pesquisa, também apontam falhas. No livro “1822”, por exemplo, por um erro de digitação a data da Lei Áurea saiu 1889, ao invés de 1888, então isso é uma chatice, né? Eu diria que erro de revisão e de checagem é o fantasma que persegue todo escritor e jornalista até o fim da vida.

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P – Como surgiu o tema do próximo livro? A história de Itu o inspirou?Primeiro escrevi “1808”, livro que surgiu de uma oportunidade. Eu trabalhava na Veja, tinha um projeto de fazer uma série de especiais sobre a história do Brasil e eu iria cuidar da história da corte portuguesa no Rio de Janeiro. O projeto foi cancelado e eu decidi transformar num livro-reportagem, aproveitando a efeméride dos 200 anos da chegada da corte em 2008. Eu acho que o jornalista precisa ter o senso de oportunidade, né? Minha ideia era só fazer o “1808”, mas as pessoas vinham perguntar sobre a consequência da vinda da corte, e a consequência óbvia é o “1822”, a independência do Brasil, então me animei e aí surgiu muito recentemente a ideia de completar uma trilogia de datas importantes do século 19, que são as três datas fundadoras do Estado brasileiro, então vem “1889” que abrange a ruptura com a monarquia e o começo da República. Então se eu quiser explicar o Brasil de hoje, eu preciso fazer esse terceiro livro.

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P – Você falou em explicar o Brasil de hoje. É comum os historiadores afirmarem que é preciso conhecer o passado para planejar o futuro. Na sua opinião, conhecer a história do país é fundamental para evitar erros e construir um país melhor?Estudar história é fundamental para a construção do futuro, mas não que existam lições de erros ou acertos do passado que não vão se repetir. Como a história está condicionada pela ação humana, nós vamos repetir os erros para sempre. Se a história tivesse algo a ensinar, o Hitler não teria invadido a Rússia. Ele cometeu o mesmo erro que Napoleão. Os dois foram derrotados pelo inverno russo. Mas por que os dois invadiram a Rússia? Porque foram obrigados pelas circunstâncias do momento. Mas a história tem a nos ensinar as nossas origens, nos ajuda a entender de onde a gente veio, porque somos assim, então ela ensina mais o porquê do que o como. Para construir o futuro de forma estruturada é bom que a gente olhe para o passado, se não for assim, a construção do futuro fica muito improvisada e a gente alimenta algumas ilusões como se eleger um presidente populista como o Collor fosse resolver tudo, fazer uma constituinte, um pacote econômico, uma medida provisória e pronto, o Brasil se tornaria país de primeiro mundo. Isso não. O Brasil tem passivos, tem heranças que ele precisa zerar ainda, da época da escravidão, como o analfabetismo, a concentração de renda, de latifúndio, a exclusão social, são coisas que até hoje nós estamos tentando resolver e que nós só conseguiremos resolver adequadamente se a gente olhar para o passado, não só para os problemas mas também para as virtudes, como essa capacidade que a gente tem de negociar, tolerar, encontrar soluções diferentes, lidar com as adversidades…

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P – O que pensa sobre os estigmas que os personagens da história têm carregado ao longo dos anos? Dom Pedro, por exemplo, todo mundo já ouviu falar que era mulherengo, mas nem todos sabem ao certo sobre seus feitos. A impressão é que ao longo do tempo o que sobra dos personagens é apenas o lado do escracho.Acho importante ter uma visão equilibrada do passado. É muito difícil julgar o passado com rigor. Taxar alguém como herói ou como vilão, são duas coisas que o jornalista tem de fugir, porque não existem, nunca existiram e nunca vão existir heróis ou vilões absolutos, as pessoas são de carne e osso, elas têm virtudes e defeitos, têm coisas bonitas e coisas muito feias, elas têm coragem, medo, insegurança, e não apenas as pessoas comuns, como nós, mas também os imperadores, os generais, os reis, os presidentes da República, então as fragilidades convivem dentro das pessoas e quando você consegue dar essa dimensão humana para os personagens da história, essa história fica mais próxima dos leitores de carne e osso, porque eles se identificam. A história parece que tem um rumo linear, mas quando ela está sendo feita, o rumo é imprevisível, como nossas vidas individuais. Se você for projetar para o passado, era assim também no momento do 7 de Setembro, o futuro era nebuloso para quem estava fazendo essa história, por isso que você não pode julgar com muito rigor, eram pessoas agindo sob circunstâncias muito imprevisíveis e difíceis de imaginar naquele momento. Quanto mais distante do personagem ou do acontecimento, mais equilibrada é a visão que você tem dele. Estudar um imperador romano hoje é mais equilibrado, mais justo, do que estudar o Lula e o Fernando Henrique. Daqui a 200, 500 anos, vai ser mais fácil ter um olhar equilibrado, talvez até para descobrir que eles eram mais complementares do que se imagina.

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P – Seu livro ficou durante muito tempo na lista dos mais vendidos. A que você atribui o atual interesse das pessoas pela história do país? É uma deficiência dos livros didáticos que elas tentam sanar?Os livros didáticos apresentam dois problemas: o primeiro é uma história muito segmentada em datas, personagens e acontecimentos que os estudantes não conseguem relacionar isso, tenho impressão que a grade curricular visa os vestibulares, então vira decoreba, o que é lamentável porque a história é a grande aventura humana ocorrendo sob a face da terra, então ela deveria ser absolutamente deslumbrante, as pessoas deveriam se encantar; o segundo problema é o viés ideológico que se embute nos livros didáticos para justificar a ideolologia do momento, isso eu acho terrível, e é assim mesmo que acontece, no mundo todo não só no Brasil. Durante o regime militar, era possível observar nos livros um Dom Pedro épico, um general em cima do cavalo fazendo o Grito do Ipiranga. Já nos livros mais recentes, é o avesso disso, uma manipulação de esquerda até para se opor ao regime militar. Outro dia vi num livro didático uma afirmação que dizia o seguinte, o exército brasileiro é um instrumentos de manipulação de poder das elites. Como uma criança vai entender isso aí? O exército brasileiro participou do regime militar, das torturas, mas a função dele não é essa. O exército também esteve envolvido na Independência, no movimento abolicionista, nas lutas republicanas, então impor um viés ideológico que o estudante não vai conseguir filtrar é um problema, por isso acho importante que existam novas visões da história do Brasil através de livros, revistas, minisséries na televisão, filmes, enfim. Tudo isso torna o estudo e o ensino da história mais isento, mais equilibrado.

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P – Como é seu processo de trabalho? Você pesquisa e escreve, concomitantemente?Eu geralmente levo seis meses para escrever o livro, um capítulo por semana, e mais seis meses para editar até porque eu faço sozinho. Tem pesquisadores que usam equipes para coletar informações, mas gosto de fazer sozinho, gosto mais de pesquisar do que de escrever. Pesquisar é uma delícia, adoro ir aos locais, ler livros, desvendar os personagens. Às vezes aparece uma pepita de ouro escondida dentro de um parágrafo que talvez um pesquisador contratado não pegasse e isso muda todo o jeito de construir o personagem. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o perfil do José Bonifácio relatado no livro “1822”. Eu descobri que ele era um bom dançarino, dançava em cima da mesa até de madrugada, era um sujeito divertidíssimo. Diz que era muito interessante bater um papo com ele, e era um galanteador, teve tantas namoradas quanto Dom Pedro, usava um rabicho no cabelo em forma de rabo de cavalo que escondia embaixo da casaca em cerimônias oficiais, então na hora pensei que coisa incrível, tem um ser humano aqui muito mais fascinante, mais de carne e osso do que as pessoas imaginam, e aí muda tudo.

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P – Você, que pesquisa muito, sente dificuldades em encontrar documentos? Como é o acervo brasileiro de modo geral?A forma que o Brasil guarda seus documentos ainda é muito precária, tem muita coisa que não foi catalogada e outro tanto em decomposição. Tem também muito material do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, por exemplo livros brasileiros sobre a história brasileira que você não encontra aqui por alguma razão. Outra vantagem, é que em Washington você é atendido em 15 minutos, tem um robô que busca o livro na prateleira e leva na mesa, então há uma facilidade. O Brasil é um país que não pesquisa, não está habituado a pesquisar, então por isso o ambiente da pesquisa é menos amigável do que lá fora, que em um minuto você tira carteirinha de pesquisador e acessa qualquer documento. Aqui não, é burocrático, tem de preencher formulário, submeter o projeto de pesquisa ao doutor fulano, é complicado.

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P – Um apaixonado por história deve ter se encantado com diversos lugares em Itu. Quais você destacaria?Gosto muito da Praça do Carmo. Acho que a Praça da Matriz, embora tenha ali a igreja barroca, talvez a mais importante do Brasil, e onde tem as obras do frei Jesuíno do Monte Carmelo, ela está meio que distorcida por um marketing recente de Itu, que é o marketing das coisas grandes. Aliás você vai pra qualquer canto do Brasil, todo mundo conhece Itu pelos telefones gigantes, grandes semáforos. Esse é um marketing banal e que obscurece o que a cidade realmente tem de importante, que é a sua história. Itu é a cidade de Almeida Júnior, do padre Diogo Antônio Feijó, do movimento republicano, é uma cidade bandeirantista, das monções, que tem 401 anos de história. Muita coisa aconteceu aqui, então isso às vezes me entristece um pouco. Mas então, gosto da Praça do Carmo porque é mais genuína, ali tem o convento e é onde a história de Itu está mais preservada, mais autêntica, genuína. Destaco também o Colégio do Patrocínio, o Regimento Deodoro, o museu da República, que me encantam, outra coisa que gosto muito em Itu é que é uma cidade que tem um movimento cultural muito grande, tem um bom museu da Música, da Energia, e algumas cerimônias interessantes, como a de São Benedito, em que os participantes se vestem e cantam cantigas ainda da época do Brasil colônia. Gosto de estar em um ambiente que me remete à história, isso me atrai muito.

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P – Já tem ideia de qual será o próximo livro?Quero focar no século 19, já tem quem faça livros da história recente muito bem, o Elio Gáspari escreveu a história da ditadura militar como eu jamais conseguiria fazer. Quero ficar no século 19 porque tenho mais familiaridade com esse período formador do Estado brasileiro. O século 19 que planta o grande vendaval que a gente iria colher no século 20, com a revolução na comunicação, nos transportes, o século 20 é mera consequência do 19, que foi a época mais revolucionária da história do mundo. E tem muita coisa para ser feita. Ainda não tem um belo livro-reportagem sobre a guerra do Paraguai, fundamental para entender a constituição do Brasil. A noção de identidade nacional só se consolida depois da guerra do Paraguai, é a primeira vez que brasileiros de todos os cantos, brancos, escravos, todos, se encontram em campo de batalha. Ali a identidade nacional é forjada, antes eram paulistas, cearences, baianas e tal. A guerra do Paraguai é um conflito que tem reflexos profundos na República. Pretendo fazer um livro-reportagem sobre o assunto assim como Mario Vargas Lhosa escreveu “A Guerra do Fim do Mundo”, sobre Canudos. Então tá aí um projeto.

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