Texto escrito por Maíra Fernandes, originalmente publicado no Cruzeiro do Sul.

Cauê Hernandes do Amaral completou recentemente 16 anos. Aliás, 16 é o número de obras que possui uma das mais importantes e talentosas escritoras britânicas, Virginia Woolf, que há exatos 70 anos vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e entrou no Rio Ouse, afogando-se. Mesmo com a pouca idade, Cauê é fã de Virginia, o que prova que mesmo passado tanto tempo, a escritora, que inspirou uma legião de outros bons escritores, continua atual.

O jovem, que já leu a maior parte das obras da escritora traduzidas para o português, desconhecia a data do suicídio de Virgínia, 28 de março (ontem), mas não a data de nascimento, 22 de janeiro. Muito mais significativo para alguém que, há três anos, se rendeu ao que chama “fluxo de pensamento” da escritora (técnica conhecida como “fluxo de consciência” que consiste em explorar a temática psicológica; o termo foi apropriado da psicanálise).

Dignosticada como depressiva, Virginia conseguiu escrever, entre outras coisas, um daqueles romances que viram obra-prima, o livro “Mrs. Dalloway”. E foi através da adaptação da vida de Woolf enquanto escrevia o romance, que acabou chegando aos cinemas como o filme “As Horas”, baseado na obra homônima de Michael Cunningham, que Cauê começou a se interessar pela escritora.

As Horas de Woolf

Era 2008, quando Cauê assistiu ao filme “As Horas” pela primeira vez. Na ocasião, a produção foi recebida pelo garoto sem muitos alardes. Logo mais, voltou a assistir e começou a se atentar mais para o enredo. Depois, vieram muitas outras sessões, até que, não satisfeito, foi atrás de mais informações sobre aquela mulher. Assim, iniciou sua pequena e particular coleção que vai de biografia à clássicos, passando por livros do início da carreira da autora, ainda sem o peso da escrita dos últimos livros.

Começou com “As ondas” e agora aguarda uma caixa comemorativa com alguns livros que faltam à coleção – presente de aniversário que ganhou do pai -, que deve chegar na segunda quinzena de abril. Já leu todos e, diferente da maioria, não classifica “Mrs. Dalloway” como seu preferido. O romance narrado em um dia não arrebatou o jovem, que prefere “As ondas”. Aliás, como bom conhecedor, reforça a paixão de Virgínia pela praia.

Os anos de envolvimento com a obra da escritora também o permitiram a liberdade de, hoje, dizer tranquilamente que não consegue mais ver Virginia Woolf na interpretação que Nicole Kidman fez para “As Horas” (e lhe rendeu um Oscar). Para ele, o enredo consegue ser um tanto simplista ante o talento e os tormentos da escritora.

Começando em casa

O jovem conta que, devido a sua paixão, acabou apresentado a escritora aos amigos. Hoje, trocam livros de Virginia e mantêm um círculo da leitura que foge do padrão da chamada literatura juvenil. Aliás, em sua biblioteca, estão outros nomes como Woody Allen, Marcos Rey e Érico Veríssimo.

Claramente tendo Virginia como maior ícone literário, reforça que o hábito de leitura não nasceu do nada, ou foi fomentado na escola. “Meu pai e minha mãe sempre leram”, recorda, esclarecendo que o momento destinado à leitura, em sua casa, é tão sagrado quanto o da refeição.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments