Cristina Danuta

Para aqueles que não sabem ontem se comemorou o dia internacional do livro infantil. Mas, se perguntarão os mais curiosos, por que essa data é comemorada no dia dois de abril? Essa data foi escolhida por ser o aniversário de um dos maiores escritores infanto-juvenis de todos os tempos: Hans Christian Andersen.

Hans Christian Andersen

Andersen nasceu em 2 de abril de 1805, na Dinamarca.  Era de uma família pobre. Seu pai foi sapateiro e Hans, apesar das dificuldades, aprendeu a ler muito cedo. Suas estórias foram criadas a partir de suas próprias experiências de vida misturadas a fantasia. Naquela época não era comum livros voltados para crianças e foi Andersen quem popularizou-os. Segundo estudiosos ele foi “a primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças” e, com elas, buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser seguidos por toda a sociedade. Ele é considerado o pai do conto de fadas moderno. Dentre algumas de suas obras estão O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Polegarzinha e A Roupa Nova do Rei.

O mais importante prêmio de literatura infanto-juvenil leva seu nome e é oferecido todos os anos pela Internacional Board on Books for Young People. A primeira representante brasileira a ganhá-la foi Lygia Bojunga, em 1982. Em 2000 o prêmio foi entregue a Ana Maria Machado.

A literatura infanto-juvenil me traz boas recordações até hoje. Minha mãe conta que sempre lia estórias infantis para mim. Meus primeiros passos no universo mágico dos livros vieram através dela. Foi com ela que aprendi a ler e escrever e, assim, poder desvendar esse mundo fascinante da leitura. Depois vieram os livros da escola, mas aí eu já tinha tomado gosto pela leitura.

A polegarzinha

Os livros acompanharam o meu crescimento e me ajudaram a passar por esse período de formação tão importante da vida, em que somos tão cheios de dúvidas e incertezas sobre o mundo e sobre nós mesmos. Cito aqui alguns deles: “Raul da Ferrugem Azul” (Ana Maria Machado) que ajudou uma menina tímida e magricela a não se sentir tão só com sua própria “ferrugem”; “Planeta Perfeito” (Luiz Galdino) que me ensinou que um mundo de perfeição pode na verdade ser muito chato e que a graça está na diferença; “O Que os Olhos Não Vêem” (Ruth Rocha) me fez sutilmente perceber como a indiferença pode ser perigosa e contagiante; “A Porta da Aventura” (Teresa Noronha) que me ajudou a “soltar” a criança imaginativa e aventureira, e claro, a ver que os dicionários também são legais; “Pedrinho Esqueleto” (Stella Carr) que me divertiu com suas aventuras e confusões na escola e as aventuras bem humoradas do Pedro Malasartes em “Malassaventuras” (Pedro Bandeira) garantiram boas risadas.

O patinho feio

Certo dia, minha mãe me presenteou com uma maleta contendo vários livros de estórias infantis cheio de ilustrações. Fiquei fascinada por eles e sempre os lia uma, duas, dezenas de vezes. Só depois de muito tempo viria descobrir que dentro daquela inocente maleta se escondia um grande tesouro: aquelas estórias que tanto me encantavam tinham sido escritas pelos irmãos Grimm e também por Hans Christian Andersen. Que alegria saber que boa parte da minha infância se passou ao lado de livros tão maravilhosos! Que alegria saber que Hans Christian Andersen também fez parte disso tudo! Nunca consegui me desvencilhar desses pequenos amigos de papel. Guardo-os até hoje.

Se há um bem enorme que os pais podem fazer a seus filhos é lhes dar a oportunidade de crescerem em meio a livros. Eles não só divertem como ajudam a formar as pessoas que elas se tornarão quando adultas. E, com certeza, eles se tornarão seus companheiros por toda a vida.

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