Texto escrito por Lais Cattassini, originalmente publicado no Jornal da Tarde.

Todos os dias Nicolli, de 3 anos e meio, pede à mãe, a professora de língua portuguesa Cristiane Rodrigues de Oliveira, de 31 anos, que leia uma história. Seja sobre uma princesa de contos de fada ou uma adaptação de um dos clássicos de Monteiro Lobato, a leitura pode ser em duas versões que, para ela, são indiferentes. Nicolli espalha os livros de papel no chão ou pega o modelo eletrônico dentro de seu iPad e ergue sobre a cabeça, brincando de ler.

Para conquistar os futuros leitores, editoras como a Globo Livros e a Abril Educação se preparam para conquistar o público infantil com lançamento de título clássicos, como a adaptação de Reinações de Narizinho, em tablets voltados aos pequenos. Os tablets, como o iPad, são modernos computadores portáteis concebidos para serem usados no dia a dia para jogos, agendas e, especialmente, leitura.

Entre as possibilidades abertas pelo avanço tecnológico, as crianças de hoje têm a oportunidade de adquirir o gosto pela leitura diretamente nas ferramentas digitais de tablets. “A Nicolli pede para eu contar em um formato ou em outro. O bom do iPad é que ela pode ‘ler’ sozinha, pois o aplicativo narra a história conforme vai passando as páginas”, conta a mãe Cristiane, dona do iPad e “supervisora” dos contatos da filha.

“A criança que está aprendendo a ler hoje, com certeza, terá acesso a um iPad ou a um outro tablet no futuro. Desde que a criança leia, não há problema. O que importa é o texto, não a ferramenta”, acredita a mãe de Nicolli.

Para os educadores, essa migração para a leitura digital tem a vantagem de oferecer interatividade aos leitores e estimular o interesse. Mas a mesma riqueza de recursos multimídias pode ser responsável pela dispersão. “Essas potencialidades do iPad seriam mais interessantes para alguém que já tem experiência prévia de leitura”, crê o professor e supervisor de língua portuguesa do Colégio Santo Américo, José Ruy Losano.

A estudante Stephanie Conolly Carolino, de 13 anos, ganhou um tablet no Natal de 2010 e o divide com a irmã mais velha. Somente agora, no entanto, Stephanie encontrou um livro que a interessasse. “Sentia falta de algo mais dinâmico na leitura. Vi uma reportagem sobre o livro Alice no País das Maravilhas e me interessei. É mais interativo. Posso tocar nas gravuras e assisti-las com movimentos”, conta a estudante.

O presente foi dado pela mãe, a representante comercial Edinalba Conolly Carolino, de 48 anos, justamente pela quantidade de recursos disponíveis. “Achei que haveria uma leitura interessante. E elas estão sempre ligadas nesse meio tecnológico”, afirma.

Stephanie usa o aparelho mais para trabalhos escolares e jogos. O prazer da leitura pelo tablet foi descoberto por ela só recentemente. “Com tantos recursos, o iPad chama mais a atenção. Mas não se pode, em nome desses recursos, deixar o texto de lado. São as palavras que importam”, diz o professor de português do Colégio Santa Maria, Adriano Silva dos Santos.

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