Na London Book Fair de 2011, a Rússia foi representada por um programa robusto de eventos. Envolvendo autores, editores e especialistas da indústria. Essa verdadeira elite da indústria editorial russa apresentou na Feira de Londres uma “Visão Geral do Mercado de Livro Russo”, liderados pelos representantes das duas maiores editoras da Rússia: AST e Eksmo

Russia Market Focus, London Book Fair

Yuri Deikalo, da AST, disse à platéia que a mercado editorial da Rússia se contraiu nos últimos anos. Em 2010, sua empresa não viu crescimento pela primeira vez em sua história. Deikalo culpou a digitalização e a pirataria galopante no país.

Oleg Novikov, diretor-geral da Eksmo, atribuiu isso tanto a um declínio da leitura (39% dos adultos russos não lêem livros), como a falta de best-sellers importantes nos últimos anos. A solução encontrada pelas empresas foi se unirem no combate, embora admitam que não sabem direito o que tal cooperação poderia envolver.

Um terceiro orador, Arkady Vitruk, da Azbooka-Atticus, disse que muitos editores na Rússia e de toda a Europa não tem estratégias claras para a compra e venda de direitos de livros eletrônicos no exterior pois não desejam negociá-los por um preço mais barato. Vitruk também foi categórico ao reclamar que por causa do monopólio da AST e da Eksmo, é difícil para as outras editoras competirem no mercado interno.

Porém o discurso que teve mais repercussão foi o de Shashi Martynova, co-fundadora e diretora da Magic Bookroom, que presta assessoria na área de publicação e distribuição. Martynova enalteceu o sucesso do Bookmate.ru, considerado o “maior distribuidor-legais de e-books na Rússia.”

O site funciona como uma livraria convencional, que também oferece aos usuários a oportunidade de fazer upload de seus próprios livros e hospedá-los nos servidores da empresa. Quase todas as editoras russas vendem livros pelo site e a Bookmate.ru divide a receita 50/50 com as editoras. Já são 65 mil títulos disponíveis, entre os vendidos pelas editoras e os de domínio público.

O usuário podem compartilhar o que está lendo com outros usuários através da sincronização com seus aparelhos de celular. Um aplicativo para iPad será lançada em breve. O serviço custa 99 rublos por mês (cerca de 8 reais). Ela admite que chega a ser ousadia oferecer algo extremamente barato, mas apenas 20% dos usuários estão em Moscou. Os outros 80% são leitores russos que vivem em outras partes do mundo.

Martynova (foto) é conhecida como uma das mais entusiasmadas defensoras da leitura na Rússia e entende que o sucesso da Bookmate.ru é apenas um sinal do crescente interesse por e-books. Para ela, apesar de opiniões em contrário. os russos continuam apaixonados pela leitura.

“Na Rússia, temos uma abordagem antiquada da leitura”, disse ela. “É uma forma de entretenimento muito comum. A recessão econômica fez os e-books tornarem-se ainda mais atraentes para os leitores por causa de seus preços mais baixos. Os e-books também irão ajudar a formar uma nova geração de leitores, que podem ser persuadidos a pensar na leitura como “tendência”.

“Muitas vezes, quando você fala sobre a leitura, você está pensando em algo que é muito íntimo, isolado e intelectual”, disse ela, “mas precisamos pensar na leitura como uma “droga lícita”. Afinal, é algo saudável, que leva você a uma realidade alternativa, e por vezes é alucinante e vertiginoso”. Ela acrescentou: “Minha mensagem aos jovens é: “Se você lê, está seguindo uma tendência”. E finaliza: “É desse tipo de propaganda que precisamos”

Agência Pavanews, com informações de Publishing Perspectives

Diz aí, o que você acha de a leitura ser promovida como uma “droga lícita” e “tendência”? Aqui no Brasil o lema de outra campanha dizia “Ler também é um exercício”. Esse tipo de coisa cola?

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