Originalmente publicado na Época.

Com o sucesso dos livros digitais, os autógrafos também deixam de ser físicos – podem ser feitos de qualquer lugar, direto em aparelhos como o Kindle ou o iPad

Livros digitais assumiram a liderança como formato editorial mais vendido nos Estados Unidos em fevereiro. De acordo com levantamento da Association of American Publishers, as vendas de ebooks totalizaram US$ 90,3 milhões em fevereiro, contra US$ 81,2 milhões dos livros com capa mole. As vendas de livros digitais cresceram 202,3% quando comparadas com o mesmo período em 2010. O mercado de livros impressos vai em outra direção: as vendas de brochuras e livros de capa dura combinadas diminuíram 34,4%, para US$ 156,8 milhões. O mercado impresso ainda é maior que o digital – mas não por muito tempo, se a tendência se mantiver.

O que leva a uma dúvida: o que escritores vão autografar em lançamentos e outros eventos quando – logo – a maior parte dos livros vendidos forem digitais?

A opção menos sofisticada, o jeitinho, é assinar a parte de trás do iPad, Kindle ou qualquer que seja o e-reader do leitor. O problema é que isso, simplesmente, não é legal. Aparelhos eletrônicos estragam, ficam obsoletos, quebram: em resumo, duram consideravelmente menos que um livro. Uma nova forma de livros pede uma nova maneira de autografá-los. Por exemplo: livros digitais podem ser transferidos entre plataformas – o mesmo livro no Kindle, no iPad, no nacional Alfa, no celular –, então nada mais óbvio do que a assassinatura do autor poder ser levada junto. Essa é uma das características do Autography, um aplicativo que permite a criação de autógrafos digitais nas páginas internas dos ebooks, usando uma caneta eletrônica para a dedicatória ficar realmente com a letra do seu escritor favorito.

E não só isso: também é possível tirar uma foto com o escritor (com a câmera do iPad ou outra câmera digital qualquer) e pedir para ele escrever uma mensagem na imagem. A foto e o autógrafo são enviados para o usuário por e-mail e de lá podem ir tanto para o ebook quando para sites como o Facebook e o Twitter. O Autography funciona em eventos tradicionais em livrarias, mas pode ser usado de outras formas: um escritor pode enviar autógrafos pela internet enquanto é entrevistado do outro lado do mundo, por exemplo. O escritor T. J. Waters, um dos inventores do Autography, assinou um livro em Dublin, na Irlanda, enquanto falava em uma rádio na Flórida, nos EUA, enviando por e-mail ao ouvinte um link com a dedicatória digital que Waters escreveu para ele em seu iPad.

Rachel Chou, da Open Road Integrated Media, empresa que publica e divulga ebooks e já organizou eventos de autógrafos digitais, afirmou ao New York Times que nem todos os leitores ligam para assinaturas. Chou acredita que as pessoas dão mais importância hoje para o fato de encontrarem e conhecerem o autor. Fotografias digitais dizem mais sobre você ter conhecido alguém – e podem ir para o álbum do Facebook – do que assinaturas. Em um evento da Open Road em 2010, por exemplo, o escritor Jonathon King passou boa parte do tempo tirando fotos com os fãs, que ganhavam as imagens em um pendrive com informações exclusivas, como entrevistas com o autor. Mesmo assim, Chou afirma que daqui a um ano assinaturas digitais devem ser bastante comuns.

O caminho para salvar o autógrafo parece estar bem definido. O Autography funciona também para histórias em quadrinho digitais, arte de discos ou filmes e o que mais possa ser assinado. A tecnologia ainda não resolveu outro coisa que se perdeu com os ebooks: poder saber que livros alguém têm apenas olhando a estante da sala.

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