Texto publicado no New York Times, traduzido por George El Khouri Andolfato do UOL.

As publicações digitais estão mudando a forma como as pessoas consomem livros. Abaixo estão 10 exemplos, da moda antiga em comparação com a nova.

A Hermitage Bookshop de Denver, decididamente à moda antiga com seus móveis de carvalho e tapete persa elaborado, não é um local onde alguém esperaria encontrar fãs de livros eletrônicos, mas Bob Topp, o proprietário, diz: “Os livros eletrônicos aumentaram as vendas dos livros impressos”.

“É fácil para as pessoas lerem o jornal de domingo, verem as críticas literárias e, 10 minutos depois, receberem aquele livro eletrônico em seu Kindle. O fato de mais pessoas estarem lendo é bom. Eu acho que é cedo demais para dizer que o livro eletrônico matará o livro de capa dura.”

Topp não usa um leitor de livro eletrônico, mas sua esposa, sim. Ela elogia a capacidade de armazenar centenas de romances em um aparelho fino e móvel, que pesa menos do que a maioria dos livros colecionáveis nas prateleiras da Hermitage.

Com certeza as publicações digitais estão mudando a forma como as pessoas consomem livros –a forma como e onde compram livros, e como e onde elas leem.

Aqui estão 10 exemplos, da moda antiga em comparação com a nova:

–À moda antiga: clubes do livro.

–Digital: blogs de livros.

Os leitores extraem passagens favoritas (ou odiadas) dos livros e comentam em blogs dedicados, auxiliados pelo Google, que indexa e classifica as páginas e passagens individuais de livros, com base nas conversas online. Leia uma passagem desconcertante ou inspiradora e então navegue instantaneamente à procura de comentários de outros leitores –na prática, um clube do livro global. Isso transforma a opção de ler um livro eletrônico de uma atividade individual para uma atividade de grupo.

Alguns exemplos: bookblog.net, book-blog.com, e Kirkus Review’s, kirkusreviews.com/meet-the-bloggers, uma agregação de blogs de livros.

–À moda antiga: Bibliotecas, livrarias e livrarias móveis.

–Digital: Para pessoas que possuem computadores pessoais, leitores de livros eletrônicos, telefones inteligentes, iPads e outros tablets, há acesso 24 horas, sete dias por semana, a bibliotecas e livrarias para compra, empréstimo e download de material.

Mas as pessoas que não têm esses aparelhos estão ficando para trás. Escolas com verbas insuficientes, por exemplo, mal têm dinheiro para livros impressos, muito menos livros eletrônicos, leitores de livros eletrônicos ou notebooks.

“Eu odeio ver nossa cultura cada vez mais dividida deixando o pobre cada vez mais para trás, ao disponibilizar os textos em grande parte em formatos aos quais eles não têm acesso e não são práticos”, disse o professor de literatura da Escola de Artes de Denver, Gregg Painter.

–À moda antiga: Escrever anotações nas margens.

–Digital: Aplicativo de anotações virtuais Public Notes do Kindle.

Quer ver como funciona? Vá até kindle.amazon.com, clique em “Most Popular” (Mais popular), depois em “Books with the most public notes” (Livros com mais anotações públicas), depois em um título para exibição da lista de autores de anotações e, clicando o símbolo “+” ao lado de cada nome, para ver as anotações individuais.

As anotações não são necessariamente enriquecedoras –“Nota: veja ostergarden na Wikipedia”, escreve Joe Gianoli em “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. (É uma fazenda na Suécia.)

Mas podem vir a ser. Imagine olhar as anotações deixadas por outros estudantes em livros escolares eletrônicos. Ou ver os comentários de Jon Stewart nas margens do livro mais recente de Sarah Palin.

–À moda antiga: Escrever para um escritor favorito, esperar por uma resposta pelo correio.

–Digital: Visitar a página no Facebook de um escritor favorito, enviar uma mensagem ou requisitar amizade; ou seguir o escritor no Twitter. A escritora de Fort Collins, Colorado, Lauren Myracle, cujo livro mais recente, “Shine”, tem sua própria página no Facebook, mantém pelo menos três páginas no Facebook que são seguidas avidamente por fãs que trocam pontos de vista com ela.

“Na noite passada eu li ‘The Corsage’ e você estava certa! É muito assustador! Eu demorei duas horas para conseguir dormir na noite passada”, escreveu a fã Emma Dougherty.

A escritora Charlotte Hinger calcula que passa quase tanto tempo promovendo seus livros no Facebook e outras redes sociais quanto pesquisando e escrevendo “Lethal Lineage” e seus outros livros. Sua página no Facebook cita Agatha Christie e seu mural informa os fãs sobre sessões de autógrafos, críticas, conferências e o progresso de seu novo romance, “Hidden Heritage”.

–À moda antiga: Ter seu livro autografado pelo autor em uma livraria.

–Digital: O Autography, que será lançado no mês que vem, é um programa que permite aos escritores autografar um livro eletrônico usando um iPad. O escritor carrega seu livro, insere uma página em branco entre a página título e o primeiro capítulo e então escreve na página em branco. O processo leva menos de três minutos e os autores podem enviar os autógrafos por e-mail.

–À moda antiga: Deseja publicar um livro? Você precisará de uma proposta, um agente, editor, editora e um departamento de marketing.

–Digital: Deseja publicar um livro? Há um aplicativo para isso e os escritores podem ser bem-sucedidos. Amanda Hocking, JA Konrath e Karen McQuestion são todos escritores famosos por promoverem agressivamente seus livros por conta própria. Mas publicar de modo independente nem sempre é bom.

“Há muitos livros independentes ruins”, diz a agente Jodi Rein, do Colorado.

“Mas há muitos bons escritores que estão optando por esse caminho. Pode ser ótimo para os escritores, porque podem ficar com grande parte dos lucros. Quem será o porteiro? Antes você entrava em uma livraria ciente de que os livros tinham passado pela peneira de editores e editoras. Se qualquer um pode ser publicado, os livros ainda terão valor?”

–À moda antiga: Doar livros usados para a caridade, vendê-los em sebos.

–Digital: “Livros usados” não existem. Os livros comprados permanecem por tempo indefinido nos leitores de livros eletrônicos. Os livros da Amazon Kindle contam com backup automático nos servidores da Amazon, de modo que se o leitor perder seu Kindle ou desejar uma atualização, os livros do velho Kindle são transferidos para o novo. O aplicativo do Kindle fará o mesmo por um iPad, iPhone, Blackberry, Android, Windows Phone, além de Macs e PCs.

–À moda antiga: Trocar livros com amigos.

–Digital: Até recentemente, as opções se limitavam em grande parte a emprestar o leitor de livro eletrônico (e os livros nele) para amigos, ou recorrer a arquivos piratas. O Lendle da Amazon permite aos usuários compartilhar alguns (não todos) títulos do Kindle por 14 dias, da mesma forma como as bibliotecas realizam empréstimos de livros eletrônicos.

A pessoa que pega o livro emprestado não precisa de um Kindle, apenas um aplicativo de leitura do Kindle para PC, Mac, iPad, iPhone, Blackberry ou Android.

–À moda antiga: Encontrou uma palavra desconhecida em um livro? Pegue um dicionário e veja o significado.

–Digital: Use seu leitor para destacar uma palavra e clicar nela, e a definição será exibida no pé da página. Esta função está disponível nos leitores mais novos, incluindo o Kindle mais recente, que inclui o New Oxford American Dictionary.

–À moda antiga: Colecionar livros raros, incluindo primeiras edições e livros de antiquários.

–Digital: Ainda não há um equivalente. O dono da Hermitage, Bob Topp, diz que vê um bocado de novos clientes, que se tornaram fãs de um escritor após a leitura de vários livros digitais.

“É um grupo totalmente novo de pessoas descobrindo um novo mundo de livros mais velhos, uma dimensão sobre a qual desconheciam”, ele diz.

“Elas entram em nossa loja e o olhar em seus olhos é ‘Livro! Eu preciso tocar um livro!’ Elas leram um livro eletrônico no avião, mas agora querem um livro que possam segurar em suas mãos.”

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments