O cartunista classificou sua eleição como um recomeço. Foto: Léo Pinheiro/Terra

O quadrinista se tornou membro da academia paulista de letras Foto: Léo Pinheiro/Terra

Publicado originalmente por Simone Sartori no Terra

O criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa, tomou posse na Academia Paulista de Letras durante cerimônia realizada na noite desta quinta-feira, na sede da APL, em São Paulo. O desenhista e empresário assumiu a cadeira número 24, ocupada anteriormente pelo poeta Geraldo Vidigal, morto no ano passado, e passa a integrar um grupo seleto de 40 membros. Feliz e sorridente, o quadrinista disse após a posse que agora pretende vender “um bilhão de livros”.

A abertura do evento ficou por conta do presidente da Academia, Antônio Penteado Mendonça, que lembrou a votação expressiva que o desenhista recebeu para ser eleito imortal, em dezembro do ano passado.

“Maurício é, sim, um escritor. Ele teve uma das mais expressivas votações da história da APL. Os acadêmicos que se sentem honrados e privilegiados com uma pessoa como Mauricio de Sousa fazendo parte dessa casa mais do que seleta. Mauricio de Sousa assume a cadeira de um poeta Geraldo Vidigal, um homem extraordinário e um poeta de finíssima sensibilidade. Me sinto privilegiado em dar as boas vindas a Mauricio de Sousa”, disse Mendonça em seu discurso.

O deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP), que também é diretor da Academia, fez a saudação oficial e, em sua fala, relembrou a biografia do desenhista.

“Mauricio foi repórter policial antes das tiras encantadas. As primeiras foram os quadrinhos de um cãozinho e seu dono: Bidu e Franjinha. Quem diria que daqueles rabiscos, um império seria criado. Mais de um bilhão de gibis espalhados pelo mundo. Prêmios pela genialidade criativa e pelo profissionalismo capaz de criar uma marca, um conceito, uma equipe. Monica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Magali, Horácio…”, disse.

Em seguida, um vídeo foi exibido para contar a trajetória de Mauricio, desde a sua infância em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, relembrando o início de carreira como repórter policial da extinta Folha da Manhã, até se tornar o maior autor de quadrinhos do Brasil.

Único desenhista a receber tal honraria, Mauricio subiu ao palco e agradeceu a homenagem, classificando sua eleição como um “recomeço”. O pai de Mônica, Cascão, Cebolinha e Magali disse também que pretende escrever mais livros.

“Esse é um recomeço. Agora com essa responsabilidade de ser ligado a escritores, a luminares e a tanta gente com quem vou aprender muito, a minha ideia é escrever mais livros. Gibi eu já escrevi um bilhão, já vendi um bilhão, agora eu quero vender um bilhão de livros. Acho que todo dia é dia de aprender alguma coisa, com a criançada, com os filhos, com a família, e agora com os intelectuais aqui da casa. E vem coisa boa por aí”, disse Mauricio após a cerimônia de posse.

Surpreendendo a todos, ao final das formalidades, os personagens da Turma da Mônica subiram ao palco e se juntaram ao seu criador. Também prestou uma homenagem a Mauricio um coral composto por crianças e adolescentes. As filhas que inspiraram as célebres personagens Mônica e Magali posaram para fotos ao lado das personagens e do pai.

Participaram da cerimônia a escritora Lygia Fagundes Telles, o maestro Julio Medaglia e o escritor Ignácio de Loyola Brandão,  ocupantes das cadeiras 28, 3 e 37, respectivamente.

A escritora Lygia Fagundes Telles, que prepara o lançamento de um livro inédito chamado Passaporte para a China, exaltou a eleição e posse de Mauricio de Sousa como membro da Academia Paulista de Letras. “É muito positivo. É uma forma de voltar à infância e nós precisamos disso. (Mauricio) nos rejuvenesce”, afirmou.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2008 com mais de cinco mil pessoas colocou Mauricio de Sousa como o décimo escritor mais admirado do Brasil em todos os tempos, ficando atrás apenas de nomes como Machado de Assis, Vinicius de Moraes, Jorge Amado e Paulo Coelho.

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