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Projeto da Teia de Textos, coordenado por Antonieta Pereira, oferece ao usuário do transporte público histórias e informação científica
De um lado do papel, um texto literário em prosa ou verso; do outro, informação científica ao alcance de todos. É esse convite à leitura que as pessoas têm encontrado em 240 ônibus de Belo Horizonte. Trata-se do projeto Ciência para todos, parceria da UFMG com a Associação Cultural Teia de Textos, ONG que há 13 anos se dedica a trabalhos de incentivo à leitura e à escrita. Atua formando mediadores para a atividade, assessorando a criação de bibliotecas comunitárias e editando livros que custam R$1,99. Entre os 10 volumes já lançados existem alguns com textos de usuários de ônibus que, encantados com o que leram nos coletivos, enviaram para o grupo contos, poemas e crônicas.
“Se queremos que o país tenha mais leitores, precisamos levar a literatura, textos científicos, jornalísticos e filosóficos a todos os lugares. Onde as pessoas trabalham, circulam e convivem. E também nas salas de espera das clínicas, que têm revistas muito ruins”, crítica Maria Antonieta Pereira, professora aposentada da UFMG, criadora da ONG. “Leitura é desenvolver o conhecimento, pensar na riqueza da vida. O que é melhor do que afundar na tristeza, na melancolia, na solidão”, defende. Quem lê, garante, tem saúde mental e espiritual. “Em mundo violento precisamos de reflexão, introspecção, alimentar o espírito. Livro é um excelente companheiro”, observa. O melhor retorno das atividades é o fato de, hoje, 95% do que a ONG publica ser produzido pelas pessoas que tiveram contato com o projeto.
A pouca leitura entre os brasileiros, para Maria Antonieta, deve-se à “história de não leitura”. Que abarca desde o fato de ler ter sido prova de acusação contra Tiradentes (no caso, a Constituição dos EUA) até ausência de políticas públicas de estímulo à leitura. Acrescente-se que a primeira editora autenticamente brasileira, a Cia. Editora Nacional, só foi criada em 1925, por Monteiro Lobato. Até então os livros eram impressos na França e em Portugal. “A sociedade civil faz o que pode, mas é o Estado que deve ser responsabilizado pelo problema”, afirma Antonieta. Ligada à área de letras, ela defende que seja criada nova disciplina nos cursos de graduação: formação de leitores.

Objetivos

Os objetivos do projeto LEITURA PARA TODOS são:

  1. elevar o nível de leitura da população em geral, especialmente daqueles que se encontram afastados do circuito escolar;
  2. permitir o acesso da população pobre ao rico acervo da Literatura Brasileira;
  3. divulgar a produção de autores consagrados, do passado e do presente, fortalecendo o cânone literário brasileiro e preservando nossa cultura frente à globalização hegemônica;
  4. abrir espaço para a divulgação da produção literária de jovens escritores mineiros;
  5. criar redes de leitura pela implementação de ações logísticas articuladas de comum acordo com Escolas Públicas, Bibliotecas Públicas, Associações de Bairro e entidades afins, visando ao desenvolvimento de novos hábitos de leitura por parte da população.

Público-alvo

Uma parte considerável da população que não tem acesso a livros e bibliotecas utiliza os ônibus e, portanto, será universalmente beneficiada pelo projeto. Junto a ela, também serão atingidos, sem distinção, todos os usuários das linhas de ônibus da capital mineira: um público extremamente variado em termos de classe social, nível de escolaridade, faixa etária etc. Considerando que os ônibus da capital também são usados por moradores da Região Metropolitana e do interior do Estado, o público-alvo torna-se ainda mais ampla

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